O cavalo de Troia que causa o regresso do cancro

PorExpresso das Ilhas,10 jul 2018 7:28

Investigadores de Barcelona descobriram o segredo das chamadas células tumorais dormentes, DTC na sigla em inglês, e agora têm um novo alvo terapêutico.

Discretas e silenciosas, libertam-se dos tumores e viajam através do corpo. E depois instalam-se noutros órgãos, à espera, num estado de dormência - por isso lhes chamam na sigla em inglês DTC, de dormant tumor cells. Um dia, sem que se saiba o que desencadeia essa nova fase, estes cavalos de Troia do cancro despertam e a doença regressa nos doentes que aparentemente estavam curados. Agora, segundo o Diário de Notícias, uma equipa de investigadores espanhóis, em colaboração colegas suíços, descobriu que é uma enzima chamada TET2 que controla a sobrevivência destas células: elas permanecem dormentes e indetectáveis, e assim conseguem escapar aos tratamentos.
Com a descoberta agora feita, os investigadores identificaram também um novo biomarcador para identificar estas células, que são bombas-relógio a prazo, e que assim, passíveis de ser detectadas, podem ser destruídas antes de causarem estragos.
A descoberta, segundo a mesma fonte, põe em evidência um novo alvo terapêutico, para o combate ao regresso do cancro, e a equipa, que é liderada por Héctor G. Palmer, do Instituto de Oncologia de Vall d’Hebron, na região de Barcelona, até já está a trabalhar nisso.
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“A partir do momento em que identificámos a TET2 como o calcanhar de Aquiles destas células, temos estado a focar-nos no desenvolvimento de novos inibidores para bloquear a actividade desta enzima. Este novo arsenal anti-cancro é, assim, uma promessa para contrariar a resistência [destas células] e prevenir o regresso da doença em alguns doentes”, explica a investigadora Isabel Puig, da equipa de Héctor Palmer, e a principal autora deste estudo, publicado, semana passada, na revista científica Journal of Clinical Investigation.
Para encontrar estas células DTC nas biopsias normais, os investigadores desenvolveram também uma técnica que “apanha” nas suas malhas o biomarcador que as denuncia. Isso significa que a partir de agora podem ser rapidamente identificadas.
Na prática, estas células têm sido até agora imunes aos tratamentos habituais contra o cancro justamente porque, nesse seu estado de dormência, não induzem o crescimento tumoral.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 866 de 4 de Julho de 2018.

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TópicosCancro

Autoria:Expresso das Ilhas,10 jul 2018 7:28

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  10 jul 2018 7:28

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