Os superlativos para qualificar a obra poética do vate cabo-verdiano não param. O extremo rigor e a criteriosa busca da palavra patenteada nos livros Paraíso apagado por um trovão (2003), Agreste matéria mundo (2004), Lisbon Blues (2008) e Cidade do mais antigo nome (2009) volta a surpreender-nos no seu mais recente livro Coração de Lava (Dezembro 2014). Nesta entrevista José Luiz Tavares debruça-se sobre a obra dos grandes nomes da poesia cabo-verdiana, entre eles, Corsino Fortes, Arménio Vieira e o seu “citadíssimo mestre” João Vário, de quem diz: “é o único poeta cabo-verdiano, escrevendo em língua portuguesa, para quem olho e não me atrevo a colocar o meu olhar e a minha bitola para além da sua cabeça, para lá da grandeza daquilo que nos legou”. E naturalmente reflecte sobre a sua própria obra distinguida com vários prémios em Cabo Verde, Portugal, Espanha e Brasil.
Expresso das Ilhas – Afirmou numa recente entrevista a propósito do lançamento do seu último livro “Coração de Lava” que às gentes doridas de Chã de pouco lhes valerá, nesta hora, a poesia ou qualquer outra arte”. Então para que serve a literatura?
José Luiz Tavares – A uma pergunta provocatória como esta, decerto legítima como qualquer outra, deve um poeta responder com uma provocação ainda maior: a literatura não serve para nada. Ponto final. No entanto, reflexo, fonte ou testemunho da intensidade da vida, a arte é o único espelho que o homem tem onde se mirar. Potência mais elevada do humano, essa acme dos antigos gregos, ela dirige-se sempre ao povo do futuro, ou melhor dizendo: é futuração sem contingência, ainda que presentificada ou corporeizada no visível das experiências que enformam um tempo e um lugar.
A sua obra é sobejamente conhecida e já foi sobejamente premiada em diversas ocasiões. Portanto não me vou debruçar muito sobre ela até porque não é nossa intenção substituir o leitor na leitura do livro. Apenas uma dica: como deve ser lido “Coração de Lava”?
Obra sobejamente conhecida?!! Um poeta não deve alimentar esse tipo de ilusões. Quando muito a minha pessoa e, em menor medida, a minha persona de poeta (as duas não são uma única e mesma realidade empírica) são conhecidas por força dalgumas circunstâncias mediáticas. No entanto, respondendo à sua pergunta, Coração de Lava deve ser lido primeira e essencialmente como experiência de linguagem que é; Erlebnis, diferente da Erfahrung, experiência fechada na opacidade do vivido, incomunicável enquanto experiência tout court. Linguagem que cria e amplifica o implícito da existência, seus nós indiscerníveis, mas também como viagem íntima em que a paisagem física, mesmo se podendo sobrelevar-se como anterioridade visível, é, contudo, e essencialmente, um constructo da arte, uma paisagem-pensamento como estes versos de um poema final do livro parecem sugerir: Relações do visto, portanto, mas que releva/tão do íntimo que foge ao princípio/da verosimilhança, entregando-se à pura/magia onde audaz e definitiva a vida inteira/cisma, transmutada em canção de ser,//mão de amigo que faz menos íngreme/a subida, não importa se em verso apenas,/na redoma do ar da sala, sobre esta quieta mesa,/companheira das maquinações/que fazem transparente o que era opaco,/e quanto viste vindo para a morte nas alturas/ quando o cálculo do futuro perfaz a soma/exacta e total.
Uma pergunta que o papa da literatura alemã, Marcel Reich-Ranicki, fazia sempre aos seus interlocutores: “O que é que quis dizer-nos com o seu novo livro?”
Um livro ou um poema sabem sempre mais do que o seu autor; dizem sempre muito mais do que inicialmente se propõem, porquanto potência rizomática e fundo de virtualidades criadora de universos e mundos, intensificam os matizes do pensado e do vivido, amalgamando-os num só indiscernível nó. Casa erguida para a habitação do ser, traz recados à vida, a todos nós que fomos esperados sobre a terra com a intensidade que nos obriga a ser actores e testemunhas perenes do mais alto e mais sublime que pode homem.
A ideia para o livro parte do fotógrafo ou do poeta?
Nos dois livros desta espécie (talvez fosse mais apropriado chamar-lhe série) que fiz com o fotógrafo Duarte Belo, e tratando-se de espaços caboverdeanos, a sugestão partiu de mim, mas isso não quer dizer que terá que ser sempre assim. Temos partido do poema para a fotografia, mas o inverso não seria menos instigante ou desafiador. Aliás, tenho na forja uma obra deste tipo em que os poemas foram construídos a partir do objecto visual, numa espécie de meditação alegórica, e onde a relação poema-fotografia é mais discernível e mais imediata.
Pode-se dizer que é um livro profético, ou é mais apocalíptico?
Nem profético nem apocalíptico, pelo menos no sentido que pareço detectar na sua pergunta. O inferno de fogo e lava que assolou o lugar de Chã das Caldeiras não é difícil de imaginar tratando-se um povoado situado no coração de um vulcão activo. No entanto não deixo de arrepiar-me quando regresso a certos versos deste livro e visualizo a exactidão do que contam, narram, esconjuram ou sussurram apenas.
Coração de Lava marca uma nova etapa na sua criação poética, no sentido em que neste livro surge como visionário, um antecipador de realidades futuras?
Toda a grande arte é, na sua essencialidade, antecipadora de realidade futuras, porquanto ela não é um mundo entre ou ao lado das coisas do mundo. Ela é, na sua essência, fabricadora de mundos, uma espécie de fiat lux, já não divino, mas humano artifício, antecipador do que há-de vir, ainda que na forma de simples premonição, de velada sugestão, também ao povo do futuro, ainda que actualizado ou presentificado em cada leitor, ou em cada ente erguido pela mão do sonho sobre as colinas do amanhã. Se Coração de Lava marca uma nova etapa no meu percurso de criação é por via das peculiaridades inventivas, tropológicas e conceptuais deste livro, pelo processo de diferenciação que procuro colocar em cada nova obra.
Em relação ao Coração de Lava preferiria que não tivesse sido profético?
Como já disse atrás, não há nada de profético neste livro, pelo menos sentido em que pudesse conter uma predição antecipadora dessa erupção que se abateu sobre Chã das Caldeiras. Embora o tempo geológico, comparado com o humano, seja anormalmente longo, o que aconteceu era uma coisa expectável e cientificamente previsível. Podia ter acontecido ontem ou daqui a cem anos. O poder preditivo da literatura é outro, e não tem que ver com acontecimentos tão concretos. Constitui-se apenas como abertura por onde um outro real pode fazer-se corpo e concretude, vida e finitude nos interstícios das palavras, na rude ou sublime tessitura dos versos, na alta música das esferas ou no simples sussurro do vento sobre a terra, ou no deflagrar do fogo, ao mesmo tempo destruidor e regenerador, que não obedece a qualquer princípio de moralidade ou imoralidade, porquanto é apenas a voz da natureza a manifestar-se.
Acredita que ajuda na venda e que servirá para alargar o seu círculo de leitores?
Tendo a saída do livro coincidido com um momento de actualidade catastrófica, por essa via, pode merecer uma maior atenção daqueles que em circunstâncias normais não dedicariam um minuto do seu tempo a um livro de poemas e fotografias. É triste que assim seja, nos dois sentidos: que as gentes da ilha do Fogo, particularmente de Chã das Caldeiras, estejam a viver este momento dramático (a eles endereço daqui a minha palavra de conforto) e triste que um livro precise duma catástrofe assim para se fazer notar. Infelizmente esta é a realidade dos livros em Cabo Verde, porque a arte literária não entra no índice das coisas ou artes glamourosas, a não ser que seja elocubração vazia dalgum político espertalhão ou dessas figuras evanescentes que a gula e a matreirice mediáticas se entretêm a fabricar de tempos a tempos. Mas o trabalho do escritor é persistir e remar contar todas as marés, encontrar nas dificuldades e bloqueios alento para a construção da verdadeira vida inventada pelas palavras.
Considera-se um profissional da literatura, ou acredita no engajamento político e moral do escritor com a sua época e o seu país?
Não sei o que é um profissional da literatura, mas o primeiro compromisso de qualquer criador é com a sua obra. A ela apenas deve fidelidade, procurando emprestar-lhe sempre um cunho de autenticidade, quaisquer que sejam as circunstâncias do tempo e do lugar, ainda que ele não deva alhear-se nunca da corrente da vida, dos desastres do existir, das tortuosidades do devir.
Ruy Belo disse que evitava repetir os mesmos processos criativos na elaboração dos seus livros. Como é o seu labor poético e que anjos e demónios lhe acompanham?
Eu trabalho a palavra e o poema até à exaustão, procurando que nenhum livro meu seja lebre para outro livro. Em cada novo livro tento evidenciar novos motivos, novos processos, que têm o seu quê de perigoso, na medida em que visam desconcertar aqueles que pensam já ter aprisionado o José Luiz Tavares dentro duma estrutura que proporcionará, doravante, resposta crítica ou hermenêutica a todas as suas criações vindouras. O trabalho do escritor tem que visar uma fuga e sabotagem permanentes ao já conhecido ou simplesmente expectável, sob pena de ele se tornar objecto morto e empalhado, e não combustão de vida nas alturas do verbo e do pensamento. Quanto à visitação de anjos e demónios durante o trabalho de criação, temo nunca ter recebido os favores de tais entidades. Daí eu achar-me apenas um obre escavador de palavras, dedicado à construção dessa pequenina e frágil morada onde possa ecoar, límpido, o latido da vida sob o peso da finitude.
É necessário ter-se lido Camões, Góngora, Wordsworth, Herberto Helder, Rui Belo, Carlos Drummond de Andrade e o seu “citadíssimo mestre” João Vário para se apreender a dimensão da sua obra poética e em especial “Coração de Lava”?
Não é necessário ter-se lido essa gente toda para se apreender a dimensão da minha poesia, porquanto, embora dialogando intensamente com imensas vozes e tradições que ultrapassam quer o âmbito territorial e o âmbito linguístico, ela é voz e fala autonomizada, não vivendo de nenhum outro sustentáculo senão aquele que ela própria cria e finca no chão da sua invenção. No entanto, quem os leu, estará, certamente, mais apto, instrumentalmente, a penetrar no âmago e tessitura dos meus versos e a defrontar-se com o mundo novo que eles propõe, porquanto se a busca da individualidade, muitas vezes até exacerbada, é a minha principal característica, também escolhi demasiado bem o meu baptismo para temer esses companheiros de viagem, que não são sombras perturbadoras, mas caminhantes cujos passos perscrutei bem, para firmar os meus, solitário e irrepetível, como é o timbre de qualquer criador autêntico.
Está mais próximo de Vário, Corsino Fortes ou Arménio Vieira?
Eu estou próximo de mim mesmo. O João Vário é uma referência poderosíssima; está sozinho numa galáxia, enquanto nós os outros estamos nuns degraus mais abaixo. É o único poeta caboverdeano, escrevendo em língua portuguesa, para quem olho e não me atrevo a colocar o meu olhar e a minha bitola para além da sua cabeça, para lá da grandeza daquilo que nos legou. Não é um horizonte fácil de superar, nem pelos poderes da imaginação. É alguém com quem tenho dialogado imenso na minha poesia mais recente, sobretudo desde o livro “As Irrevogáveis Trevas”, premiado em Espanha, mas que, infelizmente, por vicissitudes editoriais, não está publicado. Mais recentemente, encetei uma outra conversa com ele, que poderá resultar em livro autónomo ou constituir-se como parte de “As Irrevogáveis Trevas”. O Arménio Vieira é uma figura que, poeticamente, estimo imenso, duma inteligência poética fora do comum em Cabo Verde. Tem um livro espantoso, Mitografias. No entanto, e isto não é nem uma crítica nem um conselho, mas apenas o sentir de um leitor, um poeta deve pecar por defeito e nunca por excesso, como ele tinha feito, magistralmente, até há bem pouco. Os três brumários, podados, num único volume, dariam um livro soberbo. E, mesmo assim, feliz a pátria, mesmo que ela esteja se cagando para as suas figuras maiores, que tal poeta pariu e que tal obra engendra. Em relação ao Corsino Fortes nutro igual respeito, independentemente de a minha obra estar mais distante. Como ele não tem publicado (mas ele publicou sempre pouco e espaçadamente), a obra pode ter entrado num impasse poético devido à repetição de certos processos, mas estas são cogitações minhas.
Já ouvi poetas da sua geração afirmarem que Corsino Fortes viveu muito da ocultação de João Vário? Qual é a sua posição?
Esta é uma questão melindrosa que devemos abordar do lado das suas implicações no sistema literário caboverdeano, sem pessoalizarmos muito, mas também sem receio, sob pena de ocultarmos o essencial. Se o Corsino terá sobressaído devido à invisibilidade do Vário, creio que isso terá acontecido muito devido às circunstâncias políticas (as tais condicionantes do tempo e do lugar), em que, erradamente, ou instrumentalmente, se achou que os poetas deviam cantar ou narrar rasamente as vicissitudes da pátria em construção, do homem caboverdeano imerso na sua luta contra a adversidade e a precariedade, subtraindo-o, porém, à grande odisseia cosmológica, às tribulações ontológicas propriamente ditas, que são também a marca do homem plantado sobre o devir, expectante face à finitude e à perenidade. Creio que aquele dúbio apodo de negro greco-latino, que hoje eu e alguns companheiros de geração reivindicamos orgulhosamente para nós, intencional ou não, poderá (mas isso nunca se poderá saber, permanecendo no domínio, legítimo, da especulação) ter contribuído para a ostracização do João Vário, aliado a uma obra alicerçada no grande conhecimento e diálogo com as obras da tradição universal, empreendimento demasiado ambicioso para as periclitantes dentaduras dos propositores do nacionalismo literário mais estreito e canhestro e seus derivados cultivadores da monocultura identitária. Eu próprio, algumas das minhas obras já sofreram às mãos de júris demasiado zelosos em relação ao que pode ou não escrever um escritor africano. E como nisso, também, devemos ser claros, refiro-me à atribuição do Prémio Sonangol de 2004, ao qual concorri com aquele que considero ser o meu melhor livro, Agreste Matéria Mundo, tendo sido posto fora de combate, liminarmente, por se achar que nenhum escritor africano genuíno poderia escrever uma obra daquelas, só podendo, portanto, ser trabalho dalgum retornado ou abastardado. Desta peripécia concreta tive conhecimento há poucos dias em Lisboa, razão por que a refiro agora, se bem que, também, tem o fito de denunciar certa tacanhez mental e incultura literária, e as maquinações que presidem a determinados prémios literários que são exibidos aqui na pátria como cúmulo da glória literária que, mesmo nos casos merecidos, pode ser vã e transitória.
O que é que vocês viram em João Vário que as gerações mais antigas não viram? Gabriel Mariano compara os Exemplos de Vário a uma caudalosa e delirante enxurrada que corre para o mar.
Eu não quero comentar a citação do Gabriel Mariano, alguém por quem tenho respeito intelectual. Digo intelectual para o distinguir do literário ou simplesmente poético. E devemos ter em conta que neste mundo cão da literatura todos estão a lutar pelo melhor lugar no poleiro, ou, como referi metaforicamente certa vez aqui neste mesmo jornal, pelo melhor pedaço de queijo, não querendo significar, porém, que todos sejamos dongoles ou ratazanas. O Vário era um gigante e, para mal e bem dos seus e nossos pecados, tinha demasiada consciência disso. Ele seria um caso espantoso, quase um milagre – a coabitação num mesmo indivíduo dum criador daquela estirpe com um cientista de tal magnitude – em qualquer parte do mundo, quanto a mais em Cabo Verde, estes dez escalavrados pedaços de terra, habitados seguramente por homens tenazes e perseverantes, mas não são leiras donde nascem, a cada azágua, varões da estirpe do João Vário.
Cabo Verde já tem a sua Academia de Letras. Surge em boa hora?
Eu não sou grande adepto de tais confrarias. Prefiro as de comes e bebes. São bem mais úteis e genuínas, e assim como assim a gente já sabe ao que vem. Uma academia, se for apenas assento para a poltronice de certos figurões, incluindo este que aqui vos fala, não tem muito sentido. Já que estamos a falar de utilidade, vamos a uma questão útil: eu preciso de um passaporte diplomático para me facilitar a vida nas deslocações que hoje faço um pouco por todo o lado. Não é uma questão de glória ou distinção. É apenas um instrumento útil, e eu penso ter conquistado o direito a esse instrumento como a maioria dos meus pares que o possuem, mas não vou ao gabinete de ninguém pedi-lo. Exijo-o aqui em público, que é o lugar onde tais exigências devem ser feitas. Esqueçam os meus modos, as minhas idiossincrasias ou refilonice e decidam apenas sobre o mérito ou não. Já recusei medalhas, homenagens, mas para este penso que já é chegado o tempo.
É membro da Academia, ou ambiciona sê-lo?
Como já disse, essas agremiações dizem-me muito pouco. O Corsino Fortes convidou-me e não tive a coragem de dizer que não. Pensei que as condições para se ser membro eram muito mais restritivas. Mas parece que me equivoquei. Se formos ver, quantos escritores vivos existem em Cabo Verde com perfil para serem membros duma academia de letras? Só para termos um termo de comparação, se bem que não absoluto: o Ferreira Gullar, o maior poeta vivo do Brasil, só há dias, aos oitenta e tal anos, entrou para a academia brasileira de letras. Mas, como parece que tenho por patrono o João Vário, parece, pois ninguém me disse nada, afigura-se-me como uma razão suficiente para lá estar.
Quem é Margarida Fontes?
Parece que o senhor jornalista quer dar umas alfinetadas em alguém e quer utilizar-me como instrumento. Só que desta vez não vou fazer-lhe a vontade. A minha artilharia pesada é para os senhores feudais da literatura cabo-verdiana, os manhentos do costume, de nula ou medíocre obra, como bem anteviu o João Vário. Sim, sei quem é a Margarida Fontes, uma boa jornalista que, ao que sei, publicou um livro de poemas. Sobre o livro nada posso dizer, porque não conheço, não me chegou às mãos. Em todo o caso, o simples aparecimento de uma nova escritora, dado não existirem muitas em Cabo Verde, é motivo de celebração.
Sentir-se-ia realizado se fosse considerado o maior poeta da sua geração?
Não. Não é essa a glória que busco ou almejo, e nem quero ser medido por tal bitola. Se alguma posteridade me puder ser concedida, seja então esta: que pelo menos um único verso meu tenha feito a diferença na vida de alguém, e assim seja eu recordado como alguém que foi esperado sobre a terra, e sobre esta mesma terra uma humana marca deixou como tributo, testemunho e oferenda.