Continua a não haver rasto do avião da Malaysia Airlines que desapareceu no sábado, com 239 pessoas a bordo, embora novos dados tenham já sido avançados por fontes militares. Dezenas de barcos e aeronaves de vários países entretanto prosseguem as buscas. Para já a Interpol afasta a tese de terrorismo que surgiu após ter sido revelado que dois passageiros utilizaram passaportes europeus falsos.
Kuala Lumpur, sábado, 8 de Março, 00h41 (hora local). O Boeing 777-220ER do voo MH370 com destino a Pequim (China) descola do aeroporto da capital da Malásia para uma viagem que deveria demorar cerca de seis horas.
A bordo seguiam 227 passageiros – incluindo dois bebés – e 12 tripulantes. Entre os passageiros viajam essencialmente chineses (153) e malaios (38, mais a tripulação), mas também cidadãos da Indonésia (7), Austrália (6), Índia (5), França (4), EUA (3), Nova Zelândia, Ucrânia e Canadá (2), Rússia, Taiwan, Holanda (1). Viajavam ainda um suposto italiano e um austríaco, que entretanto se descobriu viajaram com passaportes roubados na Tailândia.
Por volta da 01h30 dá-se o último contacto com os controladores aéreos. O avião voava já a altitude de cruzeiro e encontrava-se em espaço aéreo do Vietname.
Depois, desapareceu sem deixar rasto e sem que um pedido de ajuda fosse enviado.
Ontem, no entanto, a Reuters avançava com mais informações, reveladas por altas fontes militares da Malásia. De acordo com estas fontes, o avião afastou-se da rota e voou a baixa altitude durante quase uma hora depois de ter desaparecido dos radares da aviação civil e sobrevoado o estreito de Malaca.
“Mudou de rota, baixou de altitude e dirigiu-se para o Estreito”, disse à Reuters aquela fonte militar.
O chefe de estado-maior da força aérea da Malásia havia já revelado, um dia antes, que o voo MH370 fora brevemente detectado nos radares militares,
No entanto, continua a não se saber o que terá acontecido de seguida.
As buscas
De acordo com a DW, mais de 40 navios e 30 aeronaves procuram vestígios do Boeing 777-200 desaparecido no sábado.
Chegaram da Austrália, China, Estados Unidos, Filipinas, Indonésia, Malásia, Singapura, Tailândia e Vietname e colaboram com as operações no Mar do Sul da China, onde se supõe que tenha caído, depois de perdido o contacto. A área de buscas foi alargada, cobrindo-se agora quase todo o Golfo da Tailândia, uma maior área do Mar da China do Sul e todo o território da Malásia peninsular, além do Estreito de Malaca onde já decorriam buscas desde o início da semana, refere o DN.
Entretanto a China, país a que pertence o maior número de prováveis vítimas, anunciou a reorientação de dez satélites militares para a área das buscas.
Os radares não mostram o Boing porque, conforme explica Matthew L. Wald, do The New York Times, a cobertura do radar não é universal, especialmente sobre a água. Os pilotos comunicam pela rádio, periodicamente, para informar qual a sua posição e nos intervalos de silêncio “Algo pode correr mal”.
As caixas negras, escreve o El País, têm sensores que emitem sinais quase automaticamente quando ocorre um incidente, mas a sua área de alcance do sinal é limitada o que causa alguma demora até ser encontrada. No entanto, estes sensores funcionam durante vários anos.
Descartada tese terrorista
A aeronave desaparecida tinha 11 anos e era considerada segura, por isso a tese de acidente por motivos mecânicos ou afins, não convence os especialistas. Tão pouco há conhecimento de más condições meteorológicas na zona e o piloto – o capitão Zaharie Ahmad Shah, de 53 anos, tinha já 18.365 horas de voo. Outras teses são de uma explosão ou mesmo de suicídio do piloto.
Uma tese que surgiu com alguma força foi a de que trataria de um acto terrorista, levado a cabo pelos passageiros que viajavam com identidades falsas.
No entanto, ontem, a Interpol veio descartar essa possibilidade.
Entretanto também a polícia malaia anunciou ter identificado os dois passageiros. Alegadamente são dois jovens iranianos, sem nenhuma ligação conhecida a organizações terroristas e que viajaram de Doha até Kuala Lumpur com os seus documentos verdadeiros.
Um dos jovens é Pouri Nour Mohammad, de 19 anos, que pretendia emigrar para Frankfurt, na Alemanha, onde se encontra a sua mãe.
“Trata-se de um problema de tráfico de seres humanos e não de uma questão terrorista», disse o secretário-geral da Interpol, Ronald K. Noble, aos jornalistas, esta terça-feira.
De acordo com os passaportes iranianos o outro passageiro é Delavar Seyed Mohammad Reza, de 30 anos, que pretenderia seguir para Copenhaga depois da escala em Amesterdão.
Também nenhuma bagagem seguiu viagem “desacompanhada”. Segundo o director da Aviação Civil da Malásia, cinco passageiros haviam perdido o voo, porém as suas malas foram desembarcadas.
Entretanto a Interpol está a verificar os passaportes de outros passageiros do voo.
Outros casos
Trata-se de “um mistério sem precedentes na aviação”, diz Datuk Azharuddin Abdul Rahman, director do Departamento de Aviação Civil da Malásia.
Ao contrário do que considera o director, há outros casos de desaparecimentos semelhantes na história da aviação mundial.
O mais recente é o do voo AF447 da Air France, cuja rota era Rio de Janeiro – Paris, e que em Junho de 2009 caiu no oceano Atlântico. Neste caso, uma das caixas negras só foi encontrada em 2011, quase dois anos depois do acidente, apesar do primeiros restos do avião terem sido encontrados logo dois dias depois do acidente.
O airbus A330, que levava 228 pessoas a bordo, comunicou ao fim de três horas e meia de voo que estava a entrar numa zona de turbulência. Depois, o aparelho enviou sinais automáticos que indicavam diversas avarias e uma falha eléctrica geral. Desapareceu no oceano sem deixar sobreviventes.
De acordo com o relatório oficial da investigação, divulgado em 2012, a tragédia deveu-se a um conjugação de falhas técnicas e humanas.
Em Outubro 1972, aconteceu um outro caso, que deu origem ao livro e filme “Alive”. Uma aeronave com 45 pessoas a bordo, incluindo os membros de uma equipa de rugby uruguaia despenhou-se na cordilheira dos Andes (Argentina). Nessa altura a tecnologia não permitia que o aparelho uruguaio fosse localizado e tal só aconteceu quando dois sobreviventes conseguiram dar o alerta, recorda o El País. Tinham decorrido 72 dias e os 16 sobreviventes da queda salvaram-se alimentando-se de restos das vítimas mortais.
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