União Africana condena “energicamente” tentativa de golpe de Estado no Gabão

PorExpresso das Ilhas, Lusa,8 jan 2019 7:39

​A União Africana (UA) condenou hoje “energicamente” a tentativa de golpe de Estado de um grupo de militares no Gabão, que tomou a Rádio Televisão Gabonesa (RTG) para estabelecer um “conselho nacional” e “salvar o país do caos”.

“A União Africana condena energicamente a tentativa de golpe desta manhã no Gabão”, afirmou o presidente da Conissão (secretariado) da UA, Moussa Faki Mahamat, através da sua conta oficial na rede social Twitter.

“Reafirmo a condenação total da UA de toda a alteração de poder inconstitucional”, acrescentou Mahamat, poucas horas depois de se conhecer a intervenção de um grupo de militares no pequeno país petrolífero da costa ocidental da África Central.

O Governo gabonês, através do porta-voz do Governo de Guy-Bertrand Mapangou, anunciou já que a situação no país está sob controlo e que quatro de um grupo de cinco militares revoltosos foram detidos, encontrando-se um em fuga, depois de uma tentativa do falhanço de um golpe de Estado militar.

“A calma regressou, a situação está sob controlo”, afirmou o porta-voz à Agence France-Presse, acrescentando que a segurança na capital do Gabão, Libreville, foi reforçada com a presença de forças que aí permanecerão nos próximos dias para garantir a ordem.

A AFP constatou o cerco do edifício da RTG por efectivos da guarda republicana e testemunhos citados pela mesma agência indicaram que vários tanques militares e veículos armados estão a patrulhar as ruas de Libreville.

O porta-voz governamental indicou ainda que as fronteiras do país permanecerão abertas e explicou que alguns disparos ouvidos na capital durante a madrugada teriam partido de um movimento de pessoas.

A comunicação do Governo gabonês acontece depois de alguns militares terem anunciado hoje na televisão pública que estava em curso um golpe de Estado naquele país da África Ocidental.

Um soldado do exército, ladeado por outros dois armados, leu um comunicado a informar que os militares tomaram o controlo do Governo “para restaurar a democracia” no país.

“Chegou a hora de tomarmos o nosso destino nas nossas mãos, chegou a hora do dia tão esperado, o dia em que o Exército decidiu pôr-se ao lado do seu povo para salvar Gabão do caos”, afirmou na RTG o tenente Kelly Ondo Obiang.

A tentativa de golpe de Estado ocorreu uma semana depois do chefe de Estado gabonês, Ali Bongo Ondimba, se ter dirigido à nação num discurso de ano novo proferido num hospital em Rabat, Marrocos, onde Ali Bongo se encontra a recuperar de um incidente de saúde ocorrido em Riade, Arábia Saudita, em Outubro último.

O discurso de 31 de Dezembro “reforçou as dúvidas” sobre a capacidade de Ali Bongo para continuar no poder ao “mostrar um paciente sem muitas das suas faculdades físicas e mentais”, considerou o militar revoltoso, que se apresentou como comandante-adjunto da Guarda Republicana e presidente do Movimento Patriótico da Juventude das Forças de Defesa e Segurança do Gabão (MPJFDS).

A escassez de notícias oficiais sobre o estado de saúde de Ali Bongo tem alimentado especulações sobre o estado de saúde do Presidente gabonês, tendo alguns meios de comunicação locais noticiado mesmo a sua morte.

Apesar da alteração da Magna Carta do país pelo Tribunal Constitucional do Gabão em 14 de Novembro último, que permitiu ao vice-presidente, Pierre Claver Maganga Moussavou, presidir ao Conselho de Ministros na ausência de Ali Bongo, o silêncio oficial sobre o estado de saúde do Chefe de Estado e a sua prolongada ausência do país levaram a oposição a criticar o “vazio de poder”.

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,8 jan 2019 7:39

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  15 jan 2019 23:19

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