Número de mortos em Moçambique sobe para 417

PorExpresso das Ilhas, Lusa,23 mar 2019 11:01

O número de mortos contabilizados por Moçambique, devido ao ciclone Idai, subiu para 417, anunciaram as autoridades. ​A actualização de números foi feita hoje em conferência de imprensa no centro de operações de socorro, no aeroporto da cidade da Beira.

O balanço anterior era de 293 mortos, 1.511 feridos e 344 mil pessoas afectadas.

O ciclone afectou pelo menos 2,8 milhões de pessoas nos três países africanos e a área submersa em Moçambique é de cerca de 1.300 quilómetros quadrados, segundo estimativas de organizações internacionais.

A cidade da Beira, no centro litoral de Moçambique, foi uma das mais afectadas pelo ciclone, na noite de 14 de Março.

Mas o número de pessoas afectadas pelo ciclone Idai poderá ultrapassar os três milhões e os recursos necessários para a assistência humanitária são ainda insuficientes, referiu Graça Machel, presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade.

"Posso arriscar: temos muito acima de três milhões de pessoas afectadas e todo o apoio ainda é insuficiente", disse hoje a antiga primeira dama de Moçambique e viúva de Nelson Mandela, em conferência de imprensa, em Maputo.

Graça Machel falava em conferência de imprensa ao lado de Henrietta Fore, diretora executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), que fez uma visita à região afetada na sexta-feira.

Henrietta Forre referiu que há muitas crianças separadas das suas famílias e vão ser necessários orfanatos e outras instituições para lhes dar apoio.

A diretora executiva do UNICEF disse ainda estar impressionada com o movimento pela maneira como Portugal está a impulsionar a solidariedade a favor das vítimas do ciclone Idai.

Toda a ajuda vai ser necessária, frisou, em inglês, acompanhando um retrato dramático da situação, feito em português, por Graça Machel.

"Daqui a umas semanas, o mundo tem que se preparar para números muito maiores e pedidos de ajuda de grande escala" e com elevado grau "de sofisticação", tal o nível de destruição.

Graça Machel considera que a prioridade deve continuar a ser o salvamento: "Imaginem o que significa estar pendurado em cima de um telhado ou árvore durante oito dias. As pessoas começam a cair de exaustão", descreveu.

Estas operações vão requerer meios aéreos "por muito tempo", porque não há estradas para levar as pessoas para meios de acomodação.

Graça Machel frisou que será necessário um apoio contínuo, durante muito tempo, ou seja, não poderá ser "aquilo que se vê" em outras circunstâncias, em que há apoio "durante [algumas] semanas ou um mês e depois a atenção vira para outro lado".

"Vamos precisar de ajuda internacional por muito tempo", mesmo antes da fase de reconstrução.

"Esta é uma emergência nunca vista na nossa história. Todos nós estamos devastados. Não temos experiência de gerir a complexidade desta emergência", acrescentou.

"É bom que se diga que isto [é resultado] de mudanças climáticas", disse, apontando que o desastre mostra "que são os pobres que vão pagar o maior preço".

Graça Machel classifica a cidade da Beira como "a primeira da história que foi completamente arrasada" em virtude de um desastre natural que associa às alterações no clima provocadas pelo homem.

No entanto, realça que as atenções não podem estar só centradas na zona urbana, pois há "muitos outros distritos afetados" no centro de Moçambique.

A antiga primeira dama moçambicana considera que o Governo do país "trabalhou bem no alerta" para o ciclone, "embora haja quem diga que depois não se removeram as pessoas", mas realça que a dimensão do problema é avassaladora.

"Obviamente que a economia já estava sob pressão e isso significa que o Governo, de antemão, já tinha muitos poucos recursos", acrescentou, questionada pelos jornalistas.

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,23 mar 2019 11:01

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  16 dez 2019 23:21

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