Países africanos devem preparar-se para aceleração da pandemia

PorExpresso das Ilhas, Inforpress,10 jul 2020 7:19

Os países africanos devem preparar-se para proteger pessoas vulneráveis e introduzir medidas de distanciamento social devido à incerteza que ainda existe sobre o impacto da pandemia COVID-19 no continente, aconselha um relatório do Instituto Tony Blair.

O estudo “Planeando o Pior e Esperando pelo Melhor: Previsão da COVID-19 para a África Subsaariana”, do Instituto para a Transformação Global, fundado pelo antigo primeiro-ministro britânico Tony Blair, contém uma análise de cinco combinações de intervenção governamental e compara os respectivos impactos com base na trajectória de 18 países da África Subsaariana, incluindo Angola e Moçambique.

Os autores, OB Sisay, Maryam Abdullah e Elizabeth Smith, concluem que a melhor opção é uma combinação de 20% de distanciamento social e 80% de protecção de pessoas vulneráveis, isto é, restringindo o movimento ou limitando os contactos entre pessoas com o uso de máscaras ou evitando ajuntamentos e manter idosos, diabéticos, hipertensos, entre outros, em isolamento.

Esta estratégia, calcularam, pode ajudar a cortar para metade o número de mortos (52%), reduzir o número de casos de infecção em 31%, reduzir o pico de hospitalizações em 66% e o uso de camas em cuidados intensivos em 67%.

Em África, há mais de 12 mil mortos confirmados em mais de 520 mil infectados em 54 países, segundo as estatísticas mais recentes sobre a pandemia naquele continente.

Porém, o relatório encontrou uma grande variação entre as previsões da Organização Mundial de Saúde (OMS) e Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres (LSHTM), o que cria uma grande incerteza como vai evoluir a pandemia.

Enquanto que a OMS de África prevê um número final de 87 mil mortes em 145 milhões de casos de infecção como novo coronavírus, resultando numa taxa muito baixa de mortalidade por casos, um modelo da LSHTM que analisa 18 países da África Subsaariana sugere mais de um milhão de mortes, mesmo com medidas de contenção.

“Actualmente, os números para África parecem relativamente baixos”, admite Tony Blair, num comunicado, admitindo que “pode ser que, como alguns sugerem, o tipo de vírus seja mais fraco ou a população jovem da África seja mais resistente”.

Porém, acrescenta, “também pode ser simplesmente um desfasamento temporal, e a doença pode começar a acelerar”.

Outras medidas sugeridas no relatório incluem campanhas de informação pública, adaptar os sistemas de teste à capacidade e meios disponíveis, dando prioridade, por exemplo, a profissionais de saúde e outros trabalhadores de serviços críticos, e transparência na publicação de dados em tempo real.

12 mil mortos 541 mil infectados

Entretanto, o número de mortos em África devido à COVID-19 subiu hoje para 12.443, mais 237 nas últimas 24 horas, em cerca de 541 mil casos, segundo os dados mais recentes sobre a pandemia no continente.

De acordo com o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana (África CDC), o número de infetados subiu para 541.381, mais 19.277 nas últimas 24 horas, um dos valores mais elevados desde o início da pandemia, enquanto o número de recuperados é hoje de 264.721, mais 10.360.

A África Austral regista o maior número de casos (246.881) e contabiliza 3.724 mortos, a grande maioria concentrada na África do Sul, o país com mais mortos e mais infetados em todo o continente, com 238.339 casos, mais 13.674, representando 70 por cento das novas infeções em 24 horas em África, e 3.720 vítimas mortais.

O Norte de África lidera no número de mortes e passou hoje as cinco mil (5.062), tendo 119.267 infeções.

A África Ocidental conta 1.505 mortos em 91.978 infetados, a África Oriental regista 1.209 vítimas mortais e 43.890 casos, enquanto na África Central há 816 mortos em 39.365 infeções.

Depois da África do Sul, o Egito é o segundo país com mais vítimas mortais, contabilizando hoje 3.617 mortos em 79.254 casos de infeção, seguindo-se a Argélia, com 978 vítimas mortais e 17.348 infetados.

Entre os cinco países mais afetados, está também a Nigéria, com 689 mortos e 30.748 infetados, e o Sudão, com 649 mortes e 10.204 casos.

Entre os países africanos lusófonos, a Guiné-Bissau é o que tem mais infeções e mortes, com 1.790 casos e 25 vítimas mortais.

Cabo Verde tem 1.553 infeções e 19 mortos, enquanto Moçambique conta 1.092 infetados e nove mortos.

São Tomé e Príncipe contabiliza 726 casos e 14 mortos e Angola tem 458 casos confirmados de COVID-19 e 23 mortos.

A Guiné Equatorial, que integra a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), mantém há vários dias 3.071 casos e 51 mortos, segundo o África CDC.

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Autoria:Expresso das Ilhas, Inforpress,10 jul 2020 7:19

Editado porAndre Amaral  em  7 mar 2021 23:20

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