Canárias abre segundo campo de acolhimento de migrantes

PorExpresso das Ilhas, Lusa,19 nov 2020 7:07

Um segundo campo de acolhimento de migrantes foi montado nas Canárias para tentar responder ao crescente fluxo de pessoas oriundas da África Ocidental, divulgou hoje o Governo central espanhol, que tem sido fortemente criticado pelas autoridades regionais daquele arquipélago.

O estabelecimento deste segundo centro de processamento temporário de migrantes na ilha de Gran Canaria surge num momento em que as críticas das autoridades regionais e de várias organizações não-governamentais (ONG) de defesa dos direitos humanos contra o executivo central espanhol têm vindo a subir de tom.

As autoridades locais afirmam que não estão a conseguir cuidar de forma adequada os milhares de migrantes que têm chegado nas últimas semanas.

As Ilhas Canárias são um arquipélago espanhol localizado a cerca de 100 quilómetros das costas de Marrocos e do Saara Ocidental que tem testemunhado um aumento dos fluxos de imigração irregular a partir de África.

A rota da África Ocidental em direção às Ilhas Canárias é conhecida por ser extremamente perigosa, mas nos últimos tempos tem atraído cada vez mais migrantes (a maioria a bordo de embarcações precárias) que desejam chegar ao território europeu.

O Ministério do Interior espanhol anunciou hoje que este segundo centro, erguido em terrenos cedidos pelo Ministério da Defesa, vai permitir aliviar a pressão de outro centro (montado igualmente em condições improvisadas) localizado na costa sudoeste da ilha Gran Canaria que está sobrelotado, com quase 2.300 migrantes.

Este primeiro centro foi erguido num cais, com a instalação de tendas cedidas pela Cruz Vermelha, com uma capacidade para 400 pessoas.

Perante o aumento das chegadas, centenas de migrantes estão a ser mantidos durante vários dias neste cais localizado na costa sudoeste da ilha Gran Canaria, com muitos a dormirem no chão e ao relento e, durante o dia, expostos várias horas ao sol.

Oficialmente, as autoridades policiais podem reter os migrantes que chegam sem autorização durante um período de 72 horas, a menos que precisem de ser mantidos por mais tempo para cumprir uma quarentena na sequência de um teste positivo à doença covid-19.

Com base nos testemunhos de migrantes, várias ONG humanitárias denunciaram, entretanto, que as pessoas estão a ser mantidas no cais durante mais de três dias.

Este segundo centro, composto por mais de duas dezenas de tendas, terá uma capacidade para cerca de 800 pessoas, de acordo com o Ministério do Interior espanhol.

Na segunda-feira foi anunciado que o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR) e a Organização Internacional para as Migrações (OIM) vão apoiar, a partir de Janeiro, as autoridades das Canárias na gestão da crise migratória que afeta este arquipélago espanhol.

A partir de Janeiro, as duas agências da ONU vão destacar e enviar funcionários para as Canárias.

No passado dia 06 de novembro, a agência europeia de fronteiras (Frontex) enviou igualmente sete agentes para o arquipélago espanhol para apoiar na investigação dos fluxos de imigração irregular.

Na mesma altura, a comissária europeia para os Assuntos Internos, Ylva Johansson, e o ministro espanhol do Interior (Administração Interna), Fernando Grande-Marlaska, visitaram a zona.

As chegadas de migrantes às Canárias duplicaram desde 15 de Outubro de acordo com os números disponíveis.

Até meados deste mês, os dados totais do ano apontavam para 8.102 migrantes chegados ao arquipélago espanhol.

Desde então, o número já subiu para 17.411 pessoas.

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,19 nov 2020 7:07

Editado porAndre Amaral  em  24 nov 2020 13:19

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