Sérvios do Kosovo retiram barricadas junto à fronteira após novas tensões

PorExpresso das Ilhas, Lusa,1 ago 2022 14:14

Os sérvios do Kosovo desmantelaram hoje as suas barricadas no norte do território após Prístina ter decidido adiar diversas medidas que consideraram vexatórias, no mais recente período de tensão na ex-província da Sérvia.

Os manifestantes sérvios do Kosovo, com larga maioria de população albanesa muçulmana e que autoproclamou a independência em 2008, retiraram camiões e outros veículos pesados que desde domingo bloqueavam o acesso a um posto fronteiriço com a Sérvia, num ambiente de grande tensão. Ao início da tarde de hoje prosseguia o desmantelamento de barricadas num segundo posto fronteiriço, indicou a agência noticiosa AFP.

Este novo surto de protestos, que implicaram uma nova intervenção da polícia kosovar mas sem provocar vítimas, seguiu-se à decisão das autoridades de Pristina em impor novas regras administrativas e fronteiriças aos sérvios.

As novas medidas, que deveriam entrar hoje em vigor, implicavam uma concessão de autorização de permanência temporária às pessoas que entrassem no Kosovo com um bilhete de identidade sérvio.

O primeiro-ministro sérvio, Albin Kurti, invocou o princípio da "reciprocidade" pelo facto de Belgrado impor o mesmo sistema aos kosovares que entram na Sérvia.

Pristina também forneceu dois meses aos sérvios do Kosovo para substituírem as matrículas sérvias dos seus veículos por placas da República do Kosovo. De acordo com as estimativas dos 'media' locais, 10.000 veículos circulam no Kosovo com matrículas emitidas por Belgrado.

Sob pressão das potências ocidentais, em particular dos Estados Unidos, o principal aliado do Kosovo, Pristina anunciou na noite de domingo o adiamento da entrada em vigor por um mês das novas medidas, até 01 de Setembro.

As forças da NATO estacionadas no Kosovo advertiram que "interviriam caso a estabilidade fosse comprometida".

Através de uma reacção paralela, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, assinalou que a Rússia apoia "absolutamente" a Sérvia neste conflito com o Kosovo e considerou "irrazoáveis" as exigências de Pristina.

"Apoiamos absolutamente a Sérvia. Estamos próximos dos sérvios do Kosovo. Cremos que esses pedidos [de Prístina] são absolutamente irrazoáveis", disse Peskov citado pela agência noticiosa russa TASS.

Os cerca de 120.000 sérvios ortodoxos do Kosovo, cerca de um terço concentrados no norte do território, não reconhecem a autoridade de Pristina e permanecem identificados com Belgrado, de quem dependem financeiramente.

Belgrado nunca reconheceu a secessão do Kosovo em 2008, proclamada na sequência de uma guerra sangrenta iniciada com uma rebelião armada albanesa em 1997 que provocou 13.000 mortos, e motivou uma intervenção militar da NATO contra a Sérvia em 1999, à revelia da ONU.

Desde então, a região tem registado conflitos esporádicos entre as duas principais comunidades locais.

O último episódio de tensões ocorreu em Setembro passado após a decisão de Pristina de proibir as matrículas de identificação sérvias: Durante diversos dias, foram bloqueados dois postos fronteiriços.

O Kosovo independente foi reconhecido por cerca de 100 países, incluindo os EUA que mantém forte influência sobre a liderança kosovar, e a maioria dos Estados-membros da UE, à excepção da Espanha, Roménia, Grécia, Eslováquia e Chipre.

A Sérvia continua a considerar o Kosovo como parte integrante do seu território, e Belgrado beneficia do apoio da Rússia e da China, que à semelhança de dezenas de outros países (incluindo Índia, Brasil ou África do Sul) também não reconheceram a independência do Kosovo.

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,1 ago 2022 14:14

Editado porAndre Amaral  em  2 ago 2022 7:55

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