Von der Leyen promete resposta “firme, unida e proporcional” da UE aos EUA

PorExpresso das Ilhas, Lusa,20 jan 2026 11:07

A presidente da Comissão Europeia insistiu hoje que a imposição de taxas adicionais pelos Estados Unidos a países europeus devido à Gronelândia “é um erro” e garantiu que a resposta da União Europeia (UE) será “firme, unida e proporcional”.

Intervindo no Fórum de Davos, na Suíça, num momento de tensões transatlânticas devido à pretensão dos EUA de assumirem o controlo da Gronelândia e na véspera de o Presidente norte-americano, Donald Trump, discursar no evento, Ursula von der Leyen lembrou que o bloco comunitário e Washington “chegaram a um acordo comercial em julho passado” e comentou que, “na política, tal como nos negócios, um acordo é um acordo”.

“E quando os amigos apertam as mãos, isso deve significar alguma coisa”, declarou a presidente da Comissão.

Von der Leyen garantiu que “a Europa está totalmente empenhada” relativamente à segurança na região do Ártico e “partilha os objetivos dos Estados Unidos a este respeito”.

Apontou que “a Finlândia, Estado-membro da UE e um dos mais recentes membros da NATO, está a vender os seus primeiros quebra-gelos aos EUA” e que “os membros nórdicos da Aliança têm neste momento forças preparadas para o Ártico”.

“A segurança do Ártico só pode ser alcançada em conjunto. É por isso que as tarifas adicionais propostas [por Trump] são um erro, especialmente entre aliados de longa data”, afirmou.

Sublinhando que a Europa considera os norte-americanos “não apenas aliados, mas amigos”, a presidente do executivo comunitário advertiu que mergulhar a relação “numa perigosa espiral descendente apenas ajudaria os adversários” que tanto a UE como os EUA procuram manter fora do panorama estratégico.

“Por isso, a nossa resposta será firme, unida e proporcional. Mas, além disso, temos de ser estratégicos na forma como abordamos esta questão. É por isso que estamos a trabalhar num pacote de medidas para apoiar a segurança do Ártico”, disse.

Reiterando a “total solidariedade com a Gronelândia e o Reino da Dinamarca” e vincando que “a soberania e a integridade do seu território não são negociáveis”, Von der Leyen assegurou que a Europa está a trabalhar num “aumento maciço do investimento” na Gronelândia e colaborará “em estreita parceria com a Gronelândia e a Dinamarca para apoiar ainda mais a economia e as infraestruturas locais”.

Apontando que a UE trabalhará com os Estados Unidos e todos os parceiros para reforçar a segurança do Ártico, a presidente da Comissão adiantou que Bruxelas analisará de que modo pode consolidar parcerias de segurança com países como o Reino Unido, Canadá, Noruega, Islândia e outros.

“Por fim, acredito que a Europa precisa de se ajustar à nova arquitectura de segurança e às realidades que enfrentamos atualmente. É por isso que a Europa está a preparar a sua própria estratégia de segurança, que pretendemos publicar ainda este ano. Como parte disso, estamos a atualizar a nossa estratégia para o Ártico. E no centro disso estará o princípio fundamental: cabe aos povos soberanos decidir o seu próprio futuro”, completou.

A edição deste ano do Fórum de Davos, que reúne anualmente as elites económica e política mundiais, decorre num contexto de grande instabilidade global, e terá como figura de destaque Donald Trump, um dos protagonistas deste ambiente de tensões, que ameaça anexar a Gronelândia, território dinamarquês sob a égide da NATO, argumentando que a segurança e a vigilância da ilha ártica foram negligenciadas nos últimos anos e que o seu controlo poderia cair nas mãos da China ou da Rússia.

No sábado, Trump anunciou uma taxa de importação de 10%, a partir de fevereiro, sobre produtos de oito nações europeias alinhadas com a Dinamarca, incluindo França, Reino Unido e Alemanha, que seria aumentada para 25% a partir de 1 de junho, até que se chegue a um acordo para o controlo total da Gronelândia.

Foto: depositphotos

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,20 jan 2026 11:07

Editado pormaria Fortes  em  21 jan 2026 6:19

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