Nemesio Oseguera, conhecido como El Mencho, líder do Cartel de Jalisco Nueva Generación (CJNG), foi ferido no domingo durante uma operação militar na cidade de Tapalpa, no Estado de Jalisco (oeste), e morreu durante o transporte de avião para a Cidade do México, segundo o exército.
O anúncio da sua morte provocou uma reação violenta do cartel, cujos alegados membros bloquearam estradas, incendiaram veículos, atacaram postos de gasolina, estabelecimentos comerciais e bancos, e confrontaram as autoridades em 20 Estados mexicanos.
Durante a operação militar e os confrontos que se seguiram, 25 membros da guarda nacional, assim como um agente de segurança e um responsável do ministério público foram mortos, bem como 46 membros do cartel, indicaram as autoridades.
Na capital, Cidade do México, nenhum acto de violência foi reportado.
O governo anunciou hoje o envio de mais 2.500 militares para Jalisco, elevando para 10.000 o número de elementos das Forças Armadas mobilizados desde domingo.
As autoridades esperam pôr rapidamente fim aos distúrbios, a quatro meses do Mundial de Futebol de 2026, co-organizado com os Estados Unidos e o Canadá, e do qual Guadalajara, capital do Estado de Jalisco, será uma das cidades-sede.
"O país está em paz, está calmo", assegurou hoje a presidente Claudia Sheinbaum, indicando que já não havia mais bloqueios nas estradas.
Mas a agência de notícias francesa AFP observou alguns perto de Guadalajara e do local da operação contra o chefe de uma das organizações criminosas mais poderosas do mundo.
"Está tranquilo, mas bem (...) ainda não quero sair", declarou à AFP Serafín Hernandez, um camionista de Morelia, no oeste do país, dizendo temer que o seu veículo fosse incendiado.
"Temos medo, acredito que toda a sociedade tem medo", sobretudo "as pessoas que vão trabalhar", acrescentou Angel Gonzalez, um taxista de 45 anos.
Em Guadalajara, as ruas estavam meio desertas e a maioria das lojas continuaram fechadas hoje.
"A situação é um pouco crítica, mal abriram algumas lojas (...) A minha família não saiu hoje", disse Jorge Martinez à AFP, um reformado de 70 anos que arriscou fazer compras numa farmácia.
Nemesio Oseguera foi considerado o último dos grandes padrinhos desde a captura dos fundadores do cartel rival de Sinaloa, Joaquín Guzmán "El Chapo", e Ismael "Mayo" Zambada, presos nos Estados Unidos.
À frente do CJNG, qualificado em 2025 como "organização terrorista" pelos Estados Unidos, que o acusam de tráfico de cocaína, heroína, metanfetamina e fentanil, era um dos barões da droga mais procurados pelo México e pelos Estados Unidos, que ofereciam até 15 milhões de dólares pela sua captura.
Uma das suas companheiras foi um elemento-chave para o localizar, explicou em conferência de imprensa o secretário da Defesa Nacional, Ricardo Trevilla.
Forças especiais do exército mexicano cercaram o local onde ele se encontrava e foram alvo de tiros por parte dos homens armados responsáveis pela sua segurança, explicou.
A presidente Claudia Sheinbaum tinha anteriormente confirmado que não houve "participação das forças dos Estados Unidos na operação", mas "muito intercâmbio de informações".
O corpo de Oseguera foi formalmente identificado pelo seu ADN e será entregue à sua família, precisou o secretário de Segurança, Omar Garcia Harfuch.
Oseguera "não tinha sucessores evidentes", pelo que poderão ocorrer cisões no seio do CJNG, estima Gerardo Rodriguez, especialista em segurança na Universidade das Américas em Puebla, entrevistado pela AFP.
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