ONU alerta para "milhares de pessoas" expostas a "grave perigo" no Sudão do Sul

PorExpresso das Ilhas, Lusa,6 jun 2026 17:34

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) alertou hoje para as "milhares de pessoas" expostas a "um grave perigo" no leste do Sudão do Sul devido à "insegurança e ao aumento das deslocações de população".

Em comunicado, a Organização das Nações Unidas (ONU) aponta que meses de combates e insegurança "forçaram centenas de milhares de pessoas a abandonar as suas casas, desencadeando uma das mais graves crises de deslocamento relacionadas com conflitos dos últimos anos".

O ACNUR refere que, desde de Dezembro, só no condado de Akobo há cerca de 140 mil, num total de mais de 300 mil pessoas deslocadas em todo o estado de Jonglei e nos estados vizinhos.

No texto, o ACNUR lembra que já fugiram para a Etiópia, país vizinho do Sudão do Sul, mais de 100 mil pessoas e que esta crise "acarreta graves consequências humanas e sociais" para as comunidades afetadas.

"As crianças traumatizadas pelo conflito e outras foram separadas das suas famílias", declarou, a partir de Juba, o representante do ACNUR no Sudão do Sul, Matthew Brook, durante uma conferência de imprensa das Nações Unidas em Genebra, citado no texto.

Além da deslocação de população e dos efeitos do conflito nas crianças, a ONU refere ainda numerosos testemunhos que relatam casos de violência sexual sobre mulheres.

Nas últimas semanas, milhares de pessoas regressaram às suas casas, mas persistem os problemas de segurança e enormes necessidades humanitárias, segundo testemunharam no terreno as equipas do ACNUR.

"Muitas famílias regressam a casa apenas para descobrir que as suas habitações foram destruídas ou saqueadas, obrigando-as a viver amontoadas em edifícios inacabados e abrigos improvisados feitos de paus e lonas de plástico", acrescentou Brook.

Segundo a ONU, muitas pessoas esgotaram os seus recursos após repetidas deslocações entre o Sudão do Sul e a Etiópia em busca de segurança: "Para alguns, o regresso a Akobo não significa que existam condições ideais para voltar, mas reflete simplesmente a escassez de alternativas disponíveis", salientou o responsável do ACNUR.

A ONU lembra que cerca de 2,4 milhões de refugiados sul-sudaneses continuam acolhidos na região, enquanto quase dois milhões de pessoas permanecem deslocadas internamente.

O país enfrenta também as consequências da guerra em curso no vizinho Sudão, com mais de 1,3 milhões de pessoas a atravessarem a fronteira desde Abril de 2023, incluindo repatriados, refugiados e requerentes de asilo.

Este afluxo coloca uma pressão adicional sobre a capacidade de resposta humanitária, com a ONU a alertar que o financiamento continua muito aquém das necessidades.

Dos 286 milhões de dólares solicitados pelo ACNUR, apenas 25% foram financiados até ao momento.

"Sem ajuda imediata, milhares de famílias que fugiram da violência arriscam enfrentar a estação das chuvas sem abrigo seguro, sem serviços básicos e sem a proteção necessária para sobreviver", alerta o ACNUR.

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,6 jun 2026 17:34

Editado porDulcina Mendes  em  6 jun 2026 19:19

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