Eleições vão decidir permanência da Guiné-Bissau na CPLP

PorExpresso das Ilhas, Lusa,24 jun 2026 14:17

O Conselho Nacional de Transição afirmou hoje que as próximas eleições vão decidir se a Guiné-Bissau continua a ser membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

A Guiné-Bissau está suspensa da CPLP desde o golpe militar de 26 de Novembro de 2025, quando tinha a presidência da organização, que foi entregue a Timor-Leste.

O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, anunciou, na segunda-feira, que o seu país será o próximo a dirigir a organização, explicando que a presidência atual corresponde ao período que estava destinado à Guiné-Bissau.

Os militares no poder na Guiné-Bissau reagiram hoje ao anúncio questionando "o duplo critério e jogos de bastidores" e a razão de a CPLP negar a presidência à Guiné Equatorial para a entregar a Timor-Leste.

"A resposta reside na subserviência a interesses que não os dos africanos", consideram.

A discórdia em relação à próxima presidência da CPLP começou há um ano, na cimeira de chefes de Estado e de Governo realizada em Bissau, em que a Guiné-Bissau assumiu os comandos da organização e, pela primeira vez, Portugal não se fez representar ao mais alto nível.

Um bloco de países africanos apoia, enquanto países como Portugal e Timor-Leste se opõem à entrega da presidência da CPLP à Guiné Equatorial.

Depois do golpe militar, a CPLP foi a única organização de que a Guiné-Bissau é membro que ainda não enviou uma missão de bons ofícios ao país.

O Conselho Nacional de Transição fez saber hoje que quem vier a ganhar as próximas eleições gerais, marcadas para 06 de Dezembro, "decidirá em nome do povo sobre a integração ou não definitiva nesta organização".

Em comunicado divulgado pela imprensa guineense, o Conselho afirma que, "ao contrário de organizações maduras e inteligentes, como a francofonia, da qual a Guiné-Bissau é membro de pleno direito (...), a CPLP prefere agir com o complexo de chicote na mão, através de vias anti estatutárias ilegais".

Os militares no poder manifestam o "mais violento e categórico repúdio face às declarações" recentes de Xanana Gusmão que consideram "insultuosas, paternalistas e eivadas de uma inadmissível soberba".

"É vergonhoso e demonstra uma patética senilidade política que quem lidera uma organização meramente cultural a tente instrumentalizar com uma inquisição ou tribunal da tutela colonial", referem no comunicado.

À semelhança do que já tinha feito anteriormente o Presidente deposto, Umaro Sissoco Embaló, o Conselho de Transição refere-se a Xanana Gusmão como "o rural" que se comporta como "um verdadeiro fazendeiro rústico e ignorante".

"Que espécies deste calibre pretendam conduzir uma organização internacional é uma aberração que só tem cabimento no lixo político em que se tornou a CPLP", acrescenta.

A atual Guiné-Bissau, continua, "recusa submeter-se a este clube de atrasados, não deseja o seu regresso a esta organização fantoche e avisa que irá realizar as suas eleições soberanas financiadas integralmente pelo seu próprio cofre de Estado".

"Não precisamos de esmolas, tutela ou lições de moral da CPLP, muito menos de ´Xananas` ou de ´Ramos-Hortas`", sublinha.

O Conselho Nacional de Transição lembra a Timor-Leste que beneficiou "diretamente da diplomacia guineense para lhes abrir portas na Ásia, na Associação das Nações do Sudeste Asiático (ANSA), uma organização sub-regional", e afirma que países como "a Indonésia, a Malásia, Singapura, o Japão" nem sequer queriam ouvir falar de Timor-Leste.

"A Guiné-Bissau teve de intervir para lhes dar credibilidade internacional, quando não passavam de agricultores sem qualquer preparação para o poder do Estado", aponta.

Os militares acrescentam, no comunicado, que a Guiné-Bissau ainda não explora o seu petróleo e tantos outros recursos e garantem que "brevemente isso acontecerá" e que "com a imensa riqueza natural prestes a ser plenamente dinamizada acabarão de vez estas faltas de respeito".

Foto: depositphotos

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,24 jun 2026 14:17

Editado porAndre Amaral  em  24 jun 2026 16:27

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