Em comunicado, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) assinala que a atualização mensal da sua avaliação sobre o Clima Sazonal Global indica “uma rápida evolução para um forte evento El Niño durante o período de julho a setembro” deste ano, acrescentando que “os modelos de previsão mostram uma concordância notável, proporcionando uma elevada confiança nas perspetivas”.
Esperam-se temperaturas da superfície do mar acima do normal no leste do Pacífico equatorial (80% de probabilidade), assim como no Oceano Índico e no Atlântico tropical, enquanto no Atlântico Norte são prováveis temperaturas abaixo ou próximas do normal.
A atualização aponta ainda, com “uma probabilidade extremamente elevada”, para temperaturas acima da média na maior parte das áreas terrestres fora das regiões polares.
Quanto à chuva, na Europa, deverá ser acima da média no sul e abaixo da média no norte, embora em relação a este continente a fiabilidade da previsão continue a ser, segundo a OMM, inferior à de muitas outras regiões.
É também provável que a chuva seja acima da média no Pacífico equatorial central e oriental e abaixo da média em partes do Oceano Índico tropical, no subcontinente indiano e em grande parte da Austrália.
“Na África equatorial (…) prevê-se que as áreas terrestres que ladeiam o norte do Golfo da Guiné recebam precipitações acima da média, em contraste com precipitações abaixo da média no Corno de África”.
Os dados mostram ainda chuvas abaixo da média em partes da América Central, Caraíbas e noroeste da América do Sul e “condições mais húmidas do que a média (…) em partes do sudoeste dos Estados Unidos”.
“As condições do El Niño já estão em curso e a previsão é que se intensifiquem rapidamente, tornando-se um evento forte – como previsto com precisão pelas projeções da OMM. Isto intensificará as hipóteses de seca e chuvas intensas, bem como o risco de ondas de calor em terra e ondas de calor marinhas em muitas regiões do mundo”, salientou a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, citada no comunicado.
A responsável disse ainda que a agência da ONU “lançou uma mobilização sem precedentes” ao nível da coordenação, dos serviços de informação climática e do apoio ao alerta precoce “para ajudar os governos, as agências humanitárias, os setores sensíveis ao clima, como a agricultura e saúde, e as comunidades vulneráveis a prepararem-se para os impactos potenciais”.
Caracterizado pelo aquecimento da temperatura da superfície do oceano no Pacífico Equatorial central e oriental, o El Niño ocorre normalmente a cada dois a sete anos e dura de nove a doze meses.
O último evento El Niño, em 2023 e 2024, fez destes dois anos os mais quentes de que há registo.
Segundo a OMM, não existem provas de que as alterações climáticas aumentem a frequência ou a intensidade dos eventos El Niño, mas sabe-se que podem amplificar os seus impactos.
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