Crise em Ceuta leva Bruxelas a pedir reforço das fronteiras da UE

PorExpresso das Ilhas, Lusa,3 ago 2026 14:21

A presidente da Comissão Europeia defendeu hoje que a crise migratória em Ceuta mostrou que é preciso "fazer mais" para reforçar as fronteiras externas da União Europeia, pedindo uma "resposta europeia comum".

"Este incidente demonstra claramente que temos de fazer mais para reforçar as nossas fronteiras nos pontos mais críticos, tanto através de uma vigilância rigorosa, como da utilização de barreiras físicas sempre que necessário", escreve Ursula von der Leyen numa carta dirigida ao presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, a que a agência Lusa teve acesso.

A presidente da Comissão Europeia defende em particular que é necessário a União Europeia (UE) "redobrar esforços" em "cinco áreas fundamentais".

"Em primeiro lugar, prevenir a migração irregular através do reforço da cooperação com os parceiros da UE, indo além da mera gestão das migrações, para ajudar a criar oportunidades para as pessoas nos seus países de origem", sustenta.

As restantes áreas elencadas por Von der Leyen são a necessidade de "reforçar ainda mais" as fronteiras externas da UE, "implementar sistemas de alerta precoce", "desmantelar as redes de tráfico de migrantes" e "reforçar os mecanismos de regresso".

Von der Leyen frisa que a situação que se viveu em Ceuta na semana passada mostrou "a dimensão e a diversidade dos desafios" que as migrações podem colocar e defende que mostrou que é necessária uma "resposta europeia comum, assente na unidade de ação e na solidariedade".

"Devemos encarar este recente incidente como um impulso para proceder a uma avaliação e retirar dele as lições que toda a Europa pode aprender para que, em conjunto, possamos reforçar a nossa resiliência, preparação e capacidade de resposta a nível europeu", sustenta.

A presidente da Comissão Europeia considera que a reunião dos ministros da Administração Interna da UE sobre este incidente, que se irá realizar esta terça-feira por videoconferência, vai ser um "primeiro passo" nesse processo.

"Será importante que os ministros cheguem a acordo sobre uma via comum, tendo por referência as cinco áreas prioritárias identificadas nesta carta. Estou convicta de que isso permitirá preparar uma discussão estratégica entre os líderes na próxima reunião do Conselho Europeu", refere.

Na carta, Von der Leyen faz também um balanço da resposta do Governo espanhol à crise em Ceuta, felicitando o primeiro-ministro Pedro Sánchez pela "rápida gestão do regresso de quem entrou ilegalmente em Ceuta a partir de Marrocos".

"Tanto as autoridades espanholas como as marroquinas geriram esta situação de forma eficiente e eficaz, impedindo com sucesso a continuação da deslocação ilegal [de imigrantes] para Espanha continental e para o resto da Europa", elogia Von der Leyen.

Numa aparente alusão aos apelos de Itália, Dinamarca e Finlândia para suspender Espanha do espaço Schengen - o que levou Pedro Sánchez a criticar a "reação egoísta" de alguns países europeus -, Von der Leyen afirma que a proteção das fronteiras externas da UE é uma "responsabilidade europeia partilhada" e defende que a "solidariedade é fundamental".

"Só em conjunto poderemos preservar a integridade do espaço Schengen", defende a presidente da Comissão Europeia, que acrescenta que a UE tem sido "firme ao afirmar que não aceitará entradas ilegais" nem "qualquer tentativa de utilizar a imigração ilegal como forma de exercer pressão sobre um Estado-membro".

A cidade autónoma espanhola de Ceuta, situada no norte de África, registou desde quinta-feira uma entrada em massa de migrantes vindos de Marrocos, que as autoridades locais estimaram em cerca de 60.000 pessoas, acima das cerca de 50.000 entradas contabilizadas pelo Governo de Madrid.

A maioria dos migrantes regressou, entretanto, voluntariamente a Marrocos, segundo o Ministério da Administração Interna espanhol.

Pelo menos 71 pessoas morreram desde quinta-feira a tentar chegar a Ceuta a nado, segundo o mais recente balanço das autoridades.

Ceuta, um pequeno território de 80.000 habitantes situado no extremo norte de Marrocos, banhado pelo estreito de Gibraltar, é uma das duas fronteiras terrestres entre África e a Europa, juntamente com o outro enclave espanhol de Melilla.

Foto: depositphotos

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,3 ago 2026 14:21

Editado porAndre Amaral  em  3 ago 2026 16:20

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