Dois funcionários da ONU libertados após detenção pelos talibãs

PorExpresso das Ilhas, Lusa,20 ago 2026 14:26

A ONU anunciou hoje a libertação de dois funcionários afegãos detidos em 9 de agosto, na província de Herat, no oeste do Afeganistão, pelos serviços de informações dos talibãs.

"Dois funcionários afegãos da Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (UNAMA), que foram detidos pelas autoridades 'de facto' em Herat há mais de uma semana, foram libertados esta manhã", afirmou um porta-voz da missão.

A UNAMA indicou continuar em contacto com as autoridades talibãs para garantir que "os privilégios e imunidades concedidos às Nações Unidas são respeitados", assim como "a segurança e a liberdade de circulação da ONU e do pessoal associado".

As detenções ocorreram poucos dias antes do quinto aniversário do regresso dos talibãs ao poder, depois da tomada de Cabul em 15 de agosto de 2021 e o colapso do Governo afegão apoiado pelos Estados Unidos e pelos aliados ocidentais.

As Nações Unidas mantiveram desde então presença no país, desenvolvendo operações de assistência humanitária e acompanhando a situação dos direitos humanos através de diferentes agências.

A situação em Herat tornou-se particularmente tensa desde o início de junho, com dezenas de mulheres detidas pela polícia da moralidade por alegadamente não cumprirem as regras impostas pelos talibãs relativamente ao vestuário.

Entre as mulheres detidas esteva uma profissional de saúde da organização não-governamental Médicos Sem Fronteiras (MSF), que condenou a ação das autoridades.

Em 09 de junho, uma rara manifestação contra estas detenções foi violentamente reprimida em Herat, provocando pelo menos dois mortos, segundo as Nações Unidas.

Também em junho, trabalhadores humanitários afegãos ligados à ONU foram detidos (e posteriormente libertados) na província por alegadamente não terem barbas suficientemente compridas para cumprir as normas estabelecidas pelas autoridades talibãs, de acordo com mensagens internas da Organização Internacional para as Migrações (OIM).

No início de agosto, a UNAMA pediu às autoridades talibãs para clarificarem as regras relativas ao uso da força, às detenções e às prisões pelas forças de segurança e reforçarem os mecanismos de supervisão em casos de abusos.

Os talibãs governam o Afeganistão segundo uma interpretação ultraconservadora da lei islâmica e impuseram restrições às mulheres, incluindo a exclusão do ensino secundário e universitário e da vida profissional.

As mulheres afegãs estão igualmente impedidas pelas autoridades talibãs de entrar nas instalações das Nações Unidas no país, incluindo aquelas que trabalham para a organização.

Foto_ depositphotos

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,20 ago 2026 14:26

Editado porAndre Amaral  em  20 ago 2026 20:19

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