Numa mensagem publicada na rede social chinesa WeChat, um tribunal de Shenzhen considerou Hui culpado de vários crimes, incluindo falsificação de informação financeira, emissão fraudulenta de ações, suborno e peculato.
O Tribunal Popular Intermediário de Shenzhen decretou ainda o confisco de todos os bens e ativos e a "interdição vitalícia dos direitos civis" do antigo executivo, também conhecido como Xu Jiayin.
A justiça chinesa aplicou ainda multas no valor de 8,82 mil milhões de yuan (1,12 mil milhões de euros) ao grupo Evergrande e de sete mil milhões de yuan (891 milhões de euros) à principal subsidiária, Evergrande Real Estate.
O tribunal da cidade situada junto a Hong Kong anunciou também penas que variam entre um ano e dez meses e 18 anos de prisão para outros 56 arguidos ligados à Evergrande, o caso mais visível da crise imobiliária que assola o gigante asiático desde o início da década.
Em 2020, o Governo chinês introduziu novas restrições ao endividamento do setor, impondo um limite de 70% na relação entre passivos e ativos das promotoras imobiliárias, bem como um teto de 100% da dívida líquida sobre o património líquido.
As medidas levaram ao colapso de grandes construtoras, como a Evergrande, cujo passivo se aproxima dos 330 mil milhões de dólares (283 mil milhões de euros).
O incumprimento da Evergrande, em 2021, expôs uma crise de liquidez no setor imobiliário chinês, altamente endividado, e teve impacto na economia, onde grande parte da riqueza das famílias está concentrada no imobiliário.
Segundo um estudo da Asia Society Policy Institute, desde o pico em 2021, o investimento imobiliário na China caiu quase para metade.
Nos últimos anos, as autoridades chinesas anunciaram várias medidas para travar a queda do mercado imobiliário, uma questão que preocupa Pequim pelas implicações para a estabilidade social.
Mas os preços das habitações novas na China caíram em julho pelo 38.º mês consecutivo, de acordo com dados oficiais.
Em abril, Hong Kong aplicou à gigante contabilística PwC uma multa de 1,3 mil milhões de dólares de Hong Kong (142 milhões de euros) e proibiu a aceitação de novos clientes por seis meses, após uma investigação à auditoria no caso Evergrande.
A Comissão de Valores Mobiliários e Futuros obrigou ainda a PwC a reservar mil milhões de dólares de Hong Kong (109 milhões de euros) para compensar acionistas minoritários da Evergrande.
Reguladores chineses concluíram em 2024 que a operação da PwC na China continental "ocultou ou até tolerou" fraudes na Evergrande nos anos anteriores ao colapso, agravando as consequências financeiras para a auditora.
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