Esta decisão surge num momento em que o Supremo Tribunal norte-americano está a analisar o recurso do Governo contra uma decisão da juíza distrital Indira Talwani, de Boston, que proibia o Serviço Postal de aplicar a nova regra sobre o voto por correspondência.
No final do dia de domingo, o juiz distrital Carl J. Nichols, de Washington, emitiu uma decisão semelhante, suspendendo a regra, publicada em 21 de agosto.
"Os autores da ação demonstraram que existe um risco acrescido de que um número significativo de votos - que de outra forma seriam válidos - acabe por não ser contabilizado nas próximas eleições", escreveu Nichols.
Em maio, Nichols tinha recusado conceder uma decisão provisória urgente por entender que a ação judicial que a solicitava havia sido apresentada prematuramente.
Esse foi o mesmo raciocínio utilizado pelo Supremo Tribunal no final do mês passado, quando revogou uma suspensão anterior determinada por Talwani.
No entanto, como o Governo havia acabado de emitir a regra para dar prosseguimento ao plano de Trump, os autores das ações em Boston e Washington D.C. reapresentaram os seus processos.
Talwani foi indicada pelo ex-Presidente Barack Obama e Nichols foi indicado por Trump.
As novas regulamentações do Serviço Postal decorrem de uma ordem executiva emitida pelo chefe de Estado no início deste ano, mas as autoridades eleitorais consideram que seria impossível implementar as mudanças tão perto de uma eleição geral.
As normas exigiriam que todos os modelos de envelopes de votação fossem pré-aprovados pelo Serviço Postal e que os diversos estados inserissem as identidades dos destinatários num portal 'online' ainda inativo.
Os boletins para o voto por correio já estão a ser enviadas em pelo menos três estados — Alabama, Carolina do Norte e Wisconsin — e outros preparam-se para os distribuir esta semana.
Um relatório de um denunciante enviado ao Congresso alertou que milhões de pessoas poderiam ser privadas do direito de voto caso a regra entrasse em vigor para as eleições intercalares de novembro, as chamadas "midterm".
O sindicato que representa os funcionários do Serviço Postal dos Estados Unidos da América (EUA) manifestou-se contra a ordem executiva, argumentando que não cabe aos trabalhadores dos correios verificar a elegibilidade dos eleitores.
O voto por correio tem sido um alvo frequente de Trump, que o apontou falsamente como causa da sua derrota para o democrata Joe Biden, em 2020, e alegou que o método abre caminho a fraudes, apesar de ele próprio o ter utilizado.
Cerca de 230 milhões de norte-americanos são chamados às urnas no próximo dia 03 de novembro para as "midterm", que irão eleger os 435 membros da Câmara dos Representantes (câmara baixa do Congresso norte-americano) e um terço dos membros do Senado (câmara alta).
Nestas eleições, serão ainda preenchidos três lugares vagos na câmara alta e eleitos 36 governadores e dezenas de cargos executivos a nível estadual e local.
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