Três oficiais sul-coreanos ficaram feridos na explosão de duas minas na DMZ em 21 de Setembro, tendo um deles perdido um pé.
"Trata-se de uma violação manifesta do acordo de armistício e, como a Coreia do Norte é responsável por isso, tomaremos as medidas necessárias", declarou o ministro da Defesa, Kang Shin-chul, durante uma audição parlamentar em Seul.
O Estado-Maior Conjunto sul-coreano disse na segunda-feira que havia "fortes suspeitas de que minas terrestres norte-coreanas estivessem na origem da explosão".
Embora a DMZ seja oficialmente desmilitarizada, figura entre os locais mais minados do mundo.
Calcula-se que mais de 800.000 minas infestem a zona de amortecimento de quatro quilómetros de largura que divide, desde 1953, a península da Coreia ao longo de quase 250 quilómetros.
Muitos dos engenhos datam da Guerra da Coreia (1950-1953), mas outros foram colocados nos anos seguintes e alguns são recentes.
O acordo de armistício foi assinado em 27 de Julho de 1953, pelo então líder norte-coreano, Kim Il-sung, pelo comandante das forças voluntárias chinesas, Peng Teh-Huai, e pelo comandante norte-americano da força da ONU, Mark Clark.
A Coreia do Sul não assinou o acordo de armistício.
Na ausência de um tratado de paz, Seul e Pyongyang encontram-se tecnicamente ainda em guerra.
O ministro da Defesa explicou que os militares atingidos pela explosão se deslocaram ao local para desobstruir a área antes de uma operação conjunta com o Comando das Nações Unidas.
A operação destinava-se a avaliar as alterações no terreno causadas pelas forças norte-coreanas.
Os detetores de minas utilizados eram "modelos de última geração", disse o ministro, mas as operações foram dificultadas pela vegetação densa.
"De acordo com a nossa análise atual, as minas podem não ter sido detetadas porque os detetores estavam a ser utilizados demasiado longe do solo", explicou, citado pela agência francesa AFP.
O exército "dispõe de um leque de medidas necessárias e vamos implementá-las por etapas", afirmou Kang, sem adiantar mais pormenores.
Explosões de minas já causaram fricções anteriormente entre os dois vizinhos.
Em 2015, dois soldados sul-coreanos ficaram gravemente feridos quando uma mina terrestre explodiu no lado sul da DMZ.
Um dos soldados perdeu ambas as pernas.
Esse incidente levou a Coreia do Sul a retomar as transmissões por altifalantes ao longo da fronteira com o Norte.
Desde que o líder norte-coreano, Kim Jong-un, renunciou oficialmente, no final de 2023, a qualquer possibilidade de reunificação com o Sul, o exército de Pyongyang tem colocado novas minas na zona.
Também tem construído novas fortificações para tornar a fronteira ainda mais hermética.
Foto: depositphotos
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