Primeira-ministra japonesa quer construir "relação estável" com a China

PorExpresso das Ilhas, Lusa,5 out 2026 8:33

Primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi
Primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi

A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, comprometeu-se hoje a construir uma relação estável com a China, um "vizinho importante", num discurso perante o Parlamento, em Tóquio.

As relações diplomáticas entre os dois gigantes económicos asiáticos estão no seu ponto mais baixo desde que Takaichi sugeriu, em novembro passado, que Tóquio poderia intervir em caso de ataque a Taiwan, uma ilha que Pequim reivindica como parte do seu território.

"A China é um vizinho importante e, apesar das dificuldades, construímos ao longo dos anos uma relação de longa data", afirmou.

"Trabalharemos para garantir a comunicação sobre os desafios comuns, promover o diálogo para proteger os nossos interesses nacionais e construir uma relação construtiva e estável", acrescentou.

No entanto, prometeu que o Japão "afirmaria firmemente as posições" nipónicas e exigirá, "com veemência, um comportamento responsável" por parte do seu vizinho.

Além disso, a chefe do governo indicou também que o seu governo elaboraria um plano global para fazer face ao declínio demográfico, que qualificou de "crise nacional que avança silenciosamente".

Embora goze de uma opinião pública amplamente favorável um ano após a sua chegada ao poder, a primeira-ministra tem de enfrentar inúmeros desafios, nomeadamente o aumento da inflação, as preocupações dos mercados relativamente ao aumento da dívida japonesa, bem como um diferendo diplomático com a China que se tem vindo a agravar desde as declarações sobre Taiwan no ano passado.

Este discurso surge depois de um diplomata chinês ter declarado, na semana passada, que as relações com Tóquio "aguardavam por ser novamente normalizadas", durante um encontro com um antigo ministro dos Negócios Estrangeiros japonês que liderava uma delegação comercial em Pequim.

No ano passado, a China sugeriu aos seus cidadãos que não viajassem para o Japão e impôs restrições comerciais, o que teve como consequência, nomeadamente, fortes quedas nas entregas de minerais de terras raras, essenciais para as empresas japonesas.

O número de japoneses residentes no arquipélago desceu abaixo da marca dos 120 milhões pela primeira vez em 42 anos, de acordo com dados governamentais publicados em julho, e o país enfrenta um envelhecimento preocupante da sua população.

Takaichi reafirmou igualmente o seu compromisso com uma política orçamental proativa e responsável, depois de o atual programa de despesas públicas ter abalado os mercados.

Este discurso marcou o início de uma sessão parlamentar que se prolongará até dezembro e irá analisar vários projetos de lei, alguns dos quais visam reduzir, a partir de abril e durante dois anos, o imposto sobre o consumo aplicável aos produtos alimentares, a fim de atenuar o impacto da inflação na vida quotidiana dos eleitores.

O discurso da chefe do Governo incluiu também uma promessa de apoiar o Tribunal Penal Internacional, depois de os Estados Unidos terem imposto, em agosto, sanções à presidente japonesa do tribunal, Tomoko Akane.

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,5 out 2026 8:33

Editado porAndre Amaral  em  5 out 2026 11:19

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