Albert Einstein e a velha escola

PorJailson Brito Querido,19 abr 2019 10:23

Albert Einstein foi um dos maiores génios da história da humanidade. Contudo, esteve à beira da exclusão pelo sistema educativo.

Einstein tinha um enorme interesse pela Ciência e pela Matemática, em contraste com o seu desinteresse nas restantes disciplinas. Faltava às aulas e tinha um fraco desempenho nessas disciplinas, o que não ajudou no seu relacionamento com os professores. Aliás, Einstein era considerado um aluno rebelde, ou seja, fazendo uso da linguagem do sistema educativo, Einstein era um aluno indisciplinado. E como o sistema educativo está interligado, Einstein foi rejeitado aquando da sua primeira tentativa em frequentar o ensino superior, apesar de ter tido classificações excecionais nas disciplinas de Matemática e Física, faltava o resto.

No próximo mês completa-se os cem anos desde o famoso eclipse solar de Maio de 1919. Sir Arthur Eddington liderou uma equipa que foi acompanhar o eclipse na ilha do Príncipe, onde fizeram observações que permitiram comprovar a Teoria da Relatividade Geral de Albert Einstein. Graças a essa teoria, Einstein é hoje ovacionado como um dos maiores génios da história da humanidade.

Se é difícil acreditar que nos finais sec. XIX o sistema educativo esteve à beira de excluir um dos maiores génios da história da humanidade, o espanto é ainda maior quando constatamos que pouco mudou desde os dias de Albert Einstein, a velha escola está aí.

Andamos todos à procura do próximo Einstein. Contudo, ninguém pergunta quantos “Einsteins” não conseguiram terminar o ensino secundário? Quantos “Einsteins” já foram excluídos pelo sistema educativo? O sistema educativo está todo ele desenhado envolta de um único propósito, preparar os alunos para os exames, o dia da transcrição. Exames esses que apenas servem para indicar se o aluno consegue transcrever para a prova as palavras do professor ou as definições quadradas vindas de livros de textos. Talvez, seja por isso que em alguns países como a Finlândia, os alunos fazem apenas um exame padronizado durante toda a educação primária e secundária. Este é o caminho, caso contrário continuaremos a falhar na construção dos três pilares fundamentais, informação, conhecimento e raciocínio.

Numa sociedade em que a informação e a desinformação estão à distância de um clique, as falhas da velha escola começam a ser, cada vez mais, evidente. E o resultado está à vista, temos uma onda de “fake news” como nunca visto, o que acaba por ter graves consequências para a nossa vida comum. Sofrem igualmente as empresas que diariamente são confrontadas com o enorme fosso entre a excelência dos diplomas e a capacidade dos diplomados em resolver problemas básicos das mesmas.

É certo que tem havido alguns avanços, tímidos, mas no essencial a velha escola tem falhado assim como falhava nos dias de Einstein. Por isso, é preciso romper com a velha escola. Romper com a velha escola significa assumir de uma vez por todas que o ensino tem de ser personalizado, focado na resolução de problemas e não na resolução de exames padronizados. Para isso, o primeiro passo passa por uma redução drástica no número de alunos por turmas. É impossível pensar no ensino personalizado enquanto temos turmas com 20 ou 30 alunos. O ensino personalizado vai permitir o desenvolvimento dos alunos nas áreas de maior interesse, sem descurar das outras áreas onde revelam maiores dificuldades. Com isso poderemos atingir um dos grandes sonhos do sistema educativo, nenhum cidadão pode ficar para trás.

E nós? Será que podemos ambicionar tais reformas? Podemos e devemos. Que não hajam ilusões, o capital humano é o maior recurso de Cabo Verde. Qualquer estratégia de desenvolvimento do país terá de passar pelo desenvolvimento do capital humano, com especial enfoque na educação das novas gerações. Por isso, romper com a velha escola é um imperativo, caso contrário a ideia de desenvolvimento será apenas uma utopia.


Investigador no MRC Laboratory of Molecular Biology, Cambridge Biomedical Campus, Reino Unido.  

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Autoria:Jailson Brito Querido,19 abr 2019 10:23

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  19 abr 2019 10:23

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