Carta aberta por uma Praia, cidade capital, mais inclusiva e inteligente

PorLígia Dias Fonseca,28 mai 2019 11:00

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Exmo Senhor Presidente da Câmara Municipal da Praia

Vivo nesta Cidade da Praia, desde Janeiro de mil novecentos e noventa e um. Tem sido, para mim, um orgulho ver a Praia crescer, modernizar-se, tornar-se cada dia uma cidade mais cosmopolita.

Ainda me lembro de pequenas coisas que se salientavam na cidade quando aconteciam. Por exemplo a remodelação da estação da SHELL em Chã d’Areia. Era uma maravilha ver tanta iluminação num posto de combustível, com a publicidade a funcionar 24 horas. Ora, hoje, isso é uma banalidade, e muitas outras estações de combustível se modernizaram e são espaços bonitos na cidade. E já não nos espantam!

A Praia é hoje uma cidade que toda ela está interligada por vias de acesso, estradas de boa qualidade, muitas com passeios bons para as pessoas circularem sem perigo. Pouco a pouco vão acabando os bairros feios e marginalizados e percebe-se a determinação da edilidade em reestruturar os bairros de forma a que sejam mais agradáveis e seguros para quem neles habita, trabalha ou passeia.

Os espaços para as crianças e famílias proliferam, bem como os espaços para desporto e exercícios físicos. Aliás, já escrevi sobre o Ginásio da Praia!

Uma cidade cosmopolita influencia o comércio, a restauração e a hotelaria. E isso tem acontecido na Praia, onde se encontram tantos sítios agradáveis para tomar um café, apreciar uma bebida refrescante ou comer uma refeição com amigos ou de trabalho.

Claro que nada disto seria suficiente para elevar o nível da Praia se a sua oferta cultural não aumentasse. E aumentou e com muita qualidade.

Mas uma cidade capital, cosmopolita, dinâmica e muito cool (na sua expressão, Senhor Presidente) tem de ser uma cidade que é boa para todos e onde toda atividade cultural pode acontecer sem perturbar para além do razoável os que habitam na cidade.

E é por isso que lhe escrevo esta carta, solicitando a sua atenção para duas questões que entendo serem muito relevantes e para as quais a Câmara Municipal da Praia já teve muita atenção. Na verdade as questões estão relacionadas entre si.

Há uns anos atrás, a CMP tomou uma decisão de que os eventos por si organizados respeitariam rigorosamente o horário sobre o ruído. Assim, o Kriol Jazz Festival e o Festival da Gamboa terminavam impreterivelmente até às duas da madrugada. Não me recordo agora em que anos foram, mas isso será fácil de comprovar, pois não terá sido há mais de 3 ou 4 anos.

Esta decisão visava respeitar o direito ao descanso das pessoas que habitam próximo dos locais onde esses eventos decorrem. Mas acabavam por ter outros efeitos sociais importantes e aqui entramos na sua questão.

Os eventos organizados pela edilidade devem ser destinados a todos, designadamente às famílias. Levar um adolescente para um festival para que ele possa assistir a um espectáculo de um seu artista preferido não consistia nenhum constrangimento para a família, pois sabia-se que o espectáculo terminaria a uma hora que ainda permitiria um descanso adequado.

Contudo, no último festival da Gamboa, com excepção do dia domingo, todos os artistas mais conhecidos dos jovens e cujas actuações estes queriam ver, estavam agendadas para muito depois das duas da madrugada. O famoso Elji Beatzkilla actuou já às seis da manhã.

Penso que não é uma boa política social uma Câmara Municipal organizar um festival, em plena época escolar, e colocar a actuação dos artistas mais conhecidos e apreciados pelo público no final do espectáculo, prevendo-se esse final para depois das cinco da manhã.

E não é boa política porque, como é sabido, os pais e responsáveis pelos jovens não os deixarão ficar até tão tarde, sem dormir, só para ver um artista actuar, o que, naturalmente, também indignará os mesmos jovens, proibidos de ver os seus artistas preferidos.

Mas, também, temos de ter presente que prolongar estes festivais pela madrugada fora conduz ao aumento do consumo do álcool e de outras drogas, o que representa um dos grandes flagelos da nossa sociedade.

Peço-lhe, Senhor Presidente da Câmara, que considere estas preocupações que agora lhe exponho e, na medida do possível, as tenha em consideração aquando da organização dos próximos eventos culturais nesta nossa cidade Capital.

Grata pela atenção dispensada, desejo-lhe muita saúde e energia para continuar este grande trabalho de transformar a Praia na cidade que todos desejem visitar e onde os que nela habitam se sintam sempre muito felizes.

Cordialmente.

Texto originalmente publicado na edição impressa do expresso das ilhas nº 912 de 22 de Maio de 2019. 

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Autoria:Lígia Dias Fonseca,28 mai 2019 11:00

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  29 mai 2019 17:18

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