Soldados do Hip-Hop mostram resistência em musicalidades novas

PorPaulo Lobo Linhares,23 jul 2020 6:54

Cada vez mais o RAP é o dono do protesto social pela música, enquanto arte.

Quando elaborado, traz consigo mensagens poderosas que instigam pensamentos e questionares.

Por outro lado, afirmam vontades e quereres, amores e desamores…pela força da palavra.

Num dos últimos singles do rapper Hélio Batalha, o mesmo pede elevação da escrita e na mensagem. Confesso que, tendo em conta a exigência que fez, vem sendo querente ao seu pedido. Batalha tem a capacidade de atirar forte, mas de forma não-agressiva. Por outro lado, o abordar de temas sociais maior celebração, também fazem parte do seu repertório, mais presente nos últimos trabalhos. Confesso apreciar a forma que tenta sempre ser querente consigo próprio, mesmo navegando em temáticas de diferentes intensidades.

A nova-realidade não escapou à atenção de Hélio. Perante situações mais fragilizadas, o músico vê nisso a altura apropriada para jurar amor pela sua terra, encorajá-la, pedindo ajuda ao RAP para fazer passar a mensagem…como caminho facilitador. O amor “pa undi biku sta nteradu”

“Nu Ta Kontinua Pa Li”, realça a resistência, o não-abandono das raízes, quer sejam elas territoriais ou musicais. Há que desfraldar bandeiras e não nos esquecermos de onde viemos, somos e bebemos. Com coragem …“Mesmu dipos di tudu lagrima kai, nu ta kontinua pa li”.

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Para o ajudar neste grito, convida o rapper Trakinuz, cujas letras e mensagens são cada vez mais incisivas. Para arrematar, a voz-brisa de Amyna Garcia quase que completando a mensagem com uma lufada mais doce, também tão necessária no passar das mensagens.

Pelo desempenho de Hélio e Trakinuz em palco – dois poderosos frontmans – esperamos ver os dois juntos em palco, sejam eles quais forem: virtuais ou não.

Ainda como nota o interessante facto do aparecer de vários singles produzidos nesta era-COVID, sendo notável tal opção para os mais atentos à indústria discográfica.

A sonoridade do Hip-Hop, foi também brindada por Indira, que se estreia com o (também) single “Gatu Loja”, em musicalidade e flow muito fresh, mas onde cabe uma mensagem bem forte e crítica, embrulhada por uma voz marcante que mistura a cadência com a melodia em doses certas…para ouvir e seguir.

Que os artistas e sobretudo os músicos, continuem a sua produção, como sempre estiveram desde o início desta era pandémica.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 972 de 15 de Julho de 2020. 

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Autoria:Paulo Lobo Linhares,23 jul 2020 6:54

Editado porAndre Amaral  em  7 ago 2020 23:20

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