Soren Araújo – Viagem, sonoridades colhidas, em resultado intenso

PorPaulo Lobo Linhares,17 out 2020 9:03

A musica de Cabo Verde vai receber o primeiro trabalho – que há muito se esperava de alguém que já fez parte de inúmeras bandas suportes de nomes conceituados, bem como elemento fixo de grupos de considerável relevo.

Contudo, como tudo tem o seu tempo, Soren Araújo, creio ter chegado em momento exato – o dele.

Calmamente, fez a sua viagem, parou onde achou necessário e bebeu da experiencia de vários portos. E temos assim o disco resultante das experiencias emocionais e musicais de Sori.

Viagem, conforme acima referido, é a primeira palavra que nos vem à cabeça, ao ouvir o resultado final deste trabalho.

Seguindo por entre estradas de ondas calmas e mares de asfalto e terra, tudo o que luzia experiencia ia sendo acumulado por Sori. A recolha foi minuciosa e selecionada, pois as peças teriam de ser as preci(o)sas e ir ao encontro daquilo que Sori idealizava. Notas umas, sons outros, melodias experimentalistas muitas, foram sendo recolhidas em vários lugares, países e diferentes continentes.

Contudo, para que tudo isso ganhasse forma musical, seriam precisos músicos, que também partilhassem a mesma alquimia musical.

E o grupo aconteceu. Praticamente por conexões que se baseiam na Teoria dos seis graus de separação do psicólogo Stanley Milgram, que Sori defende ser uma das bases construtivas deste projeto - onde se lê que no mundo são necessários no máximo seis laços de amizade para que duas pessoas quaisquer estejam ligadas.

E assim, houve as ligações, e como tudo o que acontece com a ajuda da musica – pois ela nunca se esquece de juntar quem por ela se apaixona – formou-se um sexteto de luxo onde a base é compostas pelas cordas de Soren, que se misturam com os ritmos do set de percussão criado por Adrian Trujillo, que da Espanha-mundo trouxe uma contemporânea perspetiva deste instrumento, obviamente que integrado num set que não fica pelo Cajon….Fica sim marcado por momentos deliciosos que misturam o Cajon a jogos de subtis palmas, com as cordas de Sori a mistura. Com mais músicos de excelência, o quinteto consegue, de forma assertiva e descontraída, passar a mensagem.

Há musicas que foram compostas em jardins da India, outras nos muros de Marrocos a olhar para Espanha, nos verdes castelos celtas de Wales, ou ainda pensadas e “causadas” pelas nossas ilhas, que em grande parte significam para o musico as ligações fortes com a família miais direta, ancora que o retém e oferece segurança, quando parte em viagem para longínquos destinos. No disco, bem presente a ancora e, toda a coleção das tais peças preci(o)sas e notas que fazem sonoridades que passam musica celta, oriental, africana, num denominador comum marcado pelo Rock e algum Metal. a primeira paixão de Soren.

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Assim, voltarei com certeza ao disco quando sair, mas deixo aqui a proposta para o live-streaming que mostrara um pouco da beleza que (ou)vi no disco e que já tinha visto em Sori… não tenho duvidas que este trabalho denso, mas descontraído, intenso, mas “peaceful”, carregado de relações pessoais justificará audições seguidas.

Assim, tudo o que foi dito, nunca teria acontecido, se Sori não fosse essa mistura de talento e humildade, que se empenha tanto no cultivar das relações pessoais, emocionais e que um dia a musica escolheu para ser um dos seus guardiões.

Assim, comecemos pelo “live streaming” da Ubuntu e da Afrikbeat. 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 985 de 14 de Outubro de 2020.

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Autoria:Paulo Lobo Linhares,17 out 2020 9:03

Editado porAndre Amaral  em  18 out 2020 8:50

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