Lituânia e Polónia na defesa da fronteira oriental da União Europeia

PorLinas Linkevičius,17 nov 2021 10:52

Os milhares de migrantes, que a Bielorrússia traz de aviões do Próximo Oriente para Minsk com tentativa de passagem ilegal pela fronteira oriental da União Europeia, formam parte da nova estratégia híbrida da Rússia, dirigida para testar a solidariedade europeia. Lituânia e Polónia estão a passar este exame contando com o apoio de outros membros da União Europeia – escreve Linas Linkevičius

Cada povo deve ter o direito de decidir o seu destino e o seu futuro. Os Bielorussos não têm esse direito e desde agosto de 2020 a dependência da Rússia é cada vez mais profunda. Moscovo pretende criar, conjuntamente com o Minsk, o chamado Estado Associado. Bielorrússia tornou-se também polígono onde os Russos podem testar ações híbridas como, por exemplo, a intercetação de um avião que ia de Atenas a Vilnius em maio de 2021. Situação difícil de imaginar sem colaboração estreita entre Lukashenko e Kremlin. Algo parecido acontece com a crise migratória provocada nas fronteiras da Bielorrússia com Polónia, Lituânia e Letónia. Minsk está a instrumentalizar migrantes como arma da guerra híbrida.

A Rússia serve-se da crise bielorussa para pressionar toda a região da Europa Central e Oriental, denominada na nomenclatura deles como zona do estrangeiro próximo. Os métodos variam. No caso da Ucrânia observámos a anexação da Crimeia e várias tentativas de destabilizar a situação na região de Donbas. Na Lituânia resolveram testar a capacidade de reação perante uma crise migratória. Em cada momento podemos esperar tensões na Moldávia. A Rússia controla também Transnístria, uma região moldava separada da Moldávia e que atualmente é bom exemplo da estratégia russa de “conflito congelado”. Não se deve excluir que após a reviravolta política na Moldávia e a chegado ao poder da equipa pró-ocidental, a Rússia pode “descongelar” o conflito só para complicar a vida do novo governo da Moldávia.

O ataque à fronteira oriental da União Europeia coloca Polónia e Lituânia no mesmo barco partilhando a mesma responsabilidade nas questões de segurança não só dos seus cidadãos mas da Europa inteira. Desde o ponto de vista militar da NATO ou dos Estados Unidos, os Países Bálticos e a Polónia formam uma só região. Em consequência, a cooperação entre os dois países é natural. A situação é idêntica na cooperação energética e na criação de conexões energéticas. O interesse estratégico é evidente e deve fomentar laços de cooperação já existentes. Polónia e Lituânia estão unidas não só pelos interesses e ameaças recentes, mas também pela história comum onde existem ainda algumas páginas não esclarecidas. Contudo, deve-se enfatizar tudo aquilo que une e não as divergências. Tanto mais que a colaboração é do interesse mútuo o que é visível, por exemplo, nos projetos como Triângulo de Lublin, criado pela Lituânia, Polónia e Ucrânia em 2020. Na altura assinei o documento, na qualidade do Ministro dos Negócios Estrangeiros, criando um formato novo, mas baseado nas tradições do Reino da Polónia e do Grande Ducado de Lituânia. A união, existente desde centenas de anos, serve para desenvolvimento político, cultural dos países abrangidos. A herança que merece ser recordada para inspirar desenvolvimento conjunto e a solidariedade no futuro próximo. Além do valor simbólico é exemplo de uma cooperação benéfica para todos. Em consequência, não devemos esquecer Bielorrússia que deveria ter o seu lugar natural no Triângulo de Lublin, fortalecendo esta região dentro de uma Europa Comum.

*Antigo Ministro dos Negócios Estrangeiros e Ministro da Defesa da Lituânia

Artigo oferecido pela Embaixada da Polónia em Dacar ao abrigo do Programa Contando Polónia ao Mundo

Tradução: Wlodzimierz J. Szymaniak 

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Autoria:Linas Linkevičius,17 nov 2021 10:52

Editado porSara Almeida  em  2 dez 2021 17:19

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