Liderança: a construção do futuro e o desprendimento do passado

PorLino Magno,16 mai 2026 12:23

Lino Magno - Teólogo, cronista e colunista
Lino Magno - Teólogo, cronista e colunista

O líder que não constrói continuidade eficaz, anula o sentido mais perene e poderoso em liderança. A eficácia da liderança não se esgota no fim da função de um determinado líder, mas na capacidade de construir continuidade extraordinária.

Líderes que não formam sucessores, ficam pelo caminho, sepultando o elemento mais importante em liderança.

Vários teóricos da liderança nos elucidam sobre estilos e caraterísticas que poderão ser mais assertivos e apropriados em liderança.

Os maiores teóricos da liderança incluem Kurt Lewin (estilos de liderança), Daniel Goleman (inteligência emocional), Peter Drucker (gestão eficaz), John Maxwell (liderança influenciadora) e Stephen Covey (liderança baseada em princípios). Essas teorias assumiram novas composições no decorrer do tempo.

Uma transição de traços inatos para um olhar comportamental, situacional e Transformacional. Evolução que, sem dúvida, trouxe uma excelente contribuição da forma como as teorias de liderança são compreendidas.

Todas essas teorias são importantes, na medida em que permitem à liderança alcançar uma performance robusta e um elevado padrão de excelência. Trazendo a teoria para o campo prático, a liderança não inventa, mas transforma e inova. Reconstrói caminhos e jamais se estriba sob os auspícios da paralisação e controlo.

Todo o líder controlador evita a análise e boicota a mudança. Quanto mais diálogo aberto, franco, seguido de um processo efetivo e afetivo, melhores resultados haverão.

Do contrário, a estagnação será inevitável.

A liderança transformacional pressupõe uma visão a longo prazo: quebra ciclos, repõe as pedras nos seus devidos lugares.

Sem a componente Transformacional, o líder se perde e o exercício da liderança se torna invisível. A liderança eficaz não se debruça no esteio do passado, mas na construção do futuro. Quando o líder não consegue se libertar do passado, estará sujeito a viver sem futuro. Justamente, o futuro é a capacidade do líder não se prender à zona de conforto, aos benefícios sem sacrifícios e falsa ancoragem.

Quando o passado pesa mais do que o poder da construção do futuro e a visão da mudança, a continuidade extraordinária deixa de cumprir com a sua máxima transformacional.

Todos os líderes de grande estatura tiveram a visão do futuro sem se alinharem com os privilégios do passado.

Uma boa parte dos líderes deixa de formar uma boa plataforma de transição, porque o apego aos benefícios e ao poder de controlo os domina. Todo o líder sábio sabe que o exercício da liderança é absolutamente impermanente.

O apego excessivo é um risco que todo o líder desprezado poderá sofrer.

E quando o apego se torna uma via de regra fundamental, a estrutura sofre e a conjuntura atrofia. A maestria de um exímio líder está na construção de pontes, e não de muralhas. As muralhas separam e dividem, enquanto a ponte liga, mantém o vínculo, quebra barreiras, encurta distância e mantém o fluxo da relação permanente. Saliento e sublinho que uma das habilidades mais importantes em liderança é a construção do futuro com base em pessoas e recursos humanos conscientes.

Sem rótulos, nomenclaturas destrutivas, mas com fundamentos sólidos na capacidade e mérito.

Em todos os seguimentos da liderança o método deve ser sempre o mesmo: indivíduos bem preparados, com carisma necessária, com perfil e carácter para assumirem funções relevantes. A escolha de quem lidera não deve se submeter aos caprichos simplórios nem princípios "ideológicos". Sempre que entra o critério "ideológico" a liderança sofre e a continuidade fica comprometida.

Em geral, a liderança autocrata e a liberal deixam muito a desejar no que tange ao progresso e ao desenvolvimento. O autocrata centraliza tudo à volta de si e acaba fazendo uma gestão de controlo, anulando todo o potencial que a equipa poderia desenvolver.

A liberal deixa andar do jeito que cada um achar melhor, não há seguimento, orientação e nem sempre a equipa estará preparada para responder aos desafios da própria instituição ou organização. A liberal só seria interessante, se cada membro da equipa estivesse preparado, com linhas de atuação bem delineadas e definidas. Um aspeto preponderante em liderança é a habilidade do líder não descartar ninguém. Em liderança descartar com facilidade é ariscar a continuidade.

E não podemos esquecer que a continuidade é o fator mais decisivo e essencial. Devo salientar que a liderança não pode morrer no passado, mas sim perpetuar-se no futuro, custe o que custar. Sem esse corpo, tanto a liderança como o líder cairão no esquecimento e não haverá legado.

Para finalizar, deixo com especial carinho um dos princípios mais valiosos em liderança: a atitude da escuta ativa como base que transforma suposições e distanciamentos em desenvolvimento.

O líder que muda o rumo da sua organização ou instituição é aquele que domina a arte da interação positiva, levantando os que estão em estado de desânimo, movendo em todas as direções para que todos estejam em harmonia. 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1276 de 13 de Maio de 2026.

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Autoria:Lino Magno,16 mai 2026 12:23

Editado porAndre Amaral  em  16 mai 2026 12:23

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