Ferramentas mentais para o desafio contemporâneo: inteligência artificial

PorLino Magno,31 ago 2026 7:41

Lino Magno - Teólogo, cronista e colunista
Lino Magno - Teólogo, cronista e colunista

Já se prevê que o surgimento da inteligência artificia trará grandes mudanças no campo pessoal, profissional e social. As previsões dos atores e especialistas da área não são animadoras. Em alguns países, nomeadamente a China, vários serviços já são realizados por humanoides. Robôs com alta tecnologia, que conseguem realizar tarefas em tempo recorde, ultrapassando de longe os humanos.

Alguém a chamou a era da singularidade.

A alta tecnologia ocupando o protagonismo dos humanos. Várias profissões em breve trecho já não serão realizadas pelos humanos.

Uma situação ocorrida na China nos dá um apanhado real do que podemos viver de agora em diante em relação ao surgimento da inteligência artificial. Um tribunal chinês tomou a decisão em que uma empresa não pode demitir um funcionário simplesmente porque a inteligência artificial faz o trabalho mais barato do que um humano. A situação envolveu um funcionário que auferia cerca de 25 mil yuans mensal. Após a empresa decidir utilizar a inteligência artificial para executar a maioria das tarefas, o funcionário recebeu um outro cargo com salário bem menor.

Ele recusou e a empresa o demitiu.

O funcionário contestou a decisão argumentando que a substituição por inteligência artificial era uma opção de negócio, e não uma razão plausível para terminar o contrato. Neste caso, o tribunal concordou e deu razão ao funcionário. Todas essas mudanças contemporâneas e tecnológicas irão trazer grandes mudanças psicológicas e emocionais no concernente à saúde mental, profissional e social. Com tudo isso, a sociedade se torna cada vez mais complexa, a gestão emocional e a saúde mental, serão desafios de grande impacto mundial.

A sociedade certamente passará por grandes mudanças, das quais não estaremos preparados para dar respostas.

O fenómeno interpessoal e o distanciamento humano poderão ser mais contundentes ainda do que temos vivido até agora.

Não precisamos ser adivinhos para prever um futuro menos positivo e altruísta.

Se já estamos vivendo uma crise interpessoal, imaginem num cenário onde as máquinas comandam quase tudo. De acordo com dois dos principais mentores da inteligência artificial, "o futuro não será fácil e as previsões não são promissoras". O principal nome associado à criação da Inteligência Artificial é John McCarthy, o cientista americano que cunhou o termo "Inteligência Artificial" e organizou a famosa Conferência de Dartmouth em 1956.

Outro nome fundamental é o matemático britânico Alan Turing, considerado o pai da computação e pioneiro ao propor se as máquinas podiam pensar. Agora estamos perante o maior desafio do século.

Os humanos serão obsoletos e as "máquinas inteligentes" assumirão a liderança.

Os desafios serão cada vez mais complexos e não podemos encarar tudo isso de ânimo leve.

A sociedade tem dado sinais preocupantes em vários ângulos e cenários.

Com incidência na patologia psiquiatra, transtorno de ansiedade. Situações que tem vindo a crescer cada vez mais.

Síndrome do pânico, depressão e tantas outras patologias assumindo um crescimento no âmbito pessoal, familiar, profissional e social. Nunca tivemos uma sociedade tão frágil como hoje. Estamos gradualmente perdendo as certezas que um dia norteavam a sociedade; a motivação que plasmava a nossa existência e a simplicidade que um dia nos mantinha com um olhar de esperança e prazer pela vida.

Nunca a humanidade esteve tão oca de conteúdo como hoje. A humanidade está em perigo de um colapso universal. É urgente adotarmos medidas preventivas no nosso quotidiano, ambiente de trabalho, estruturas religiosas, igrejas e famílias. A situação é séria e requer um olhar profundo e alguma urgência no seu combate e análise.

Já chegamos quase ao limite e se torna um imperativo dar uma atenção especial e assertiva. Algo precisa acontecer no sentido de mudarmos o quadro presente.

Medidas articuladas, respostas positivas, decisões conscientes e incisivas diante do quadro atual.

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Para terminar, irei apontar algumas ferramentas fundamentais que nos ajudam a manter um equilíbrio necessário diante dessa grande mudança de paradigma gigantesca.

O autoconhecimento sem dúvida ocupa o espaço importantíssimo. Uma das ferramentas indispensáveis diante do quadro atual.

Num plano mais metafísico e filosófico, entram a espiritualidade filosófica e teológica. Aproximação do sagrado, da metafísica e da transcendência.

Gerando um alto senso existencial, a completude e a plenitude.

O vazio interno será preenchido pela presença do autoconhecimento, da autogestão e da busca sincera de uma existência que não se dissolve com os fatores externos.

A gratidão intencional e permanente não deixa de ser uma das ferramentas basilares.

Uma alma grata não se distancia do essencial e não se perde nas vicissitudes.

Gerando assim, um sentimento interno de satisfação e sentido pleno.

Falando de sentido (Victor Frankl) no seu esplêndido livro: "Em busca de sentido", nos trás uma compreensão profunda sobre a razão de uma existência intencional e firme diante das lutas e desafios sombrios. Quando temos um sentido firme diante da vida conseguimos vislumbrar esperança onde a maioria enxerga negatividade. Seguimos em frente onde muitos ficarão pelo caminho.

Um sentido de vida inabalável nos ajuda a manter a gratidão constante e dar respostas positivas em tempos sombrios e difíceis.

É a resposta para a boa saúde mental e o antídoto contra o vazio na alma. 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1291 de 26 de Agosto de 2026.

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Autoria:Lino Magno,31 ago 2026 7:41

Editado porSara Almeida  em  31 ago 2026 7:41

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