"Não há nenhum motivo para se celebrar o 1º de Maio" em Cabo Verde

PorInforpress, Expresso das Ilhas,1 mai 2018 7:30

Trabalhadores do Vila Verde, no Sal, ainda aguardam por respostas da Justiça, diz o presidente do SICOTUR
Trabalhadores do Vila Verde, no Sal, ainda aguardam por respostas da Justiça, diz o presidente do SICOTUR

O presidente do Sindicato da Indústria, Comércio e Turismo (SICOTUR), Mário Correia, considerou hoje que “não há” motivos para festejar o 1ºde Maio já que o momento é de “nojo, tristeza e lamentações”.

Em declarações à Inforpress o sindicalista declarou no momento em que se assinala mais um Dia Internacional do Trabalhador, que o “momento é de nojo, tristeza e lamentações. Mais um ano se passou, e não há esperanças que a situação do mundo laboral no país, e no Sal, em particular, venha a melhorar”, exteriorizou, enunciando processos pendentes há vários anos no tribunal, devido à morosidade da justiça.

“Processos adormecidos há quinze anos, que deram entrada nos tribunais em 2003, outros que datam de 2010… Quando é que aparece um juiz com coragem para pegar e resolver esses processos. Esses trabalhadores e respectivas famílias têm motivo de nojo, revolta e não de comemoração nenhuma” questionou.

O sindicalista aponta como exemplo, processos referentes aos trabalhadores do Hotel Dja D’Sal, da Salmar, JA Nascimento, Hotel Aeroflot, Free Shop, Tecnicil Resort, BBS, entre muitos outros envolvendo “centenas” de trabalhadores e, representando “milhares” de contos.

“Há trabalhadores que já nem pertencem a este mundo. Morreram sem receber um centavo do seu dinheiro. E tudo indica que são processos sem solução”, lamentou.

Visando a resolução dessas pendências no tribunal, Mário Corria disse ter feito também tentativa, há já dois anos, junto da Provedoria da Justiça, mas “nunca” obteve “nenhuma satisfação” por parte de António Espírito Santo.

Por outro lado, lamentando a alteração do Código Laboral que entrou em vigor em Outubro de 2016, que vem reduzir, por exemplo, o valor das indemnizações por despedimentos sem justa causa e também a implementação da lei do subsídio de desemprego que no seu entendimento é “uma autêntica aberração”, fazem Mário Correia considerar que o ambiente laboral no país “vai de mal a pior”.

“O INPS tem estado a facturar milhões por mês com essa lei de subsídio de desemprego, que apenas impõe descontos, isto é, 0,5 por cento para os trabalhadores e 1 por cento por parte de cada entidade empregadora, sem nada pagar. Uma lei concebida apenas para arrecadar receita. Que se me apresente uma pessoa que já recebeu um centavo deste subsídio”, questionou.

Para marcar o 1º de Maio, o sindicalista disse que havia sido programada uma mega reunião de trabalhadores, mas receando a fraca participação “porque todo o mundo está com medo de dar a cara”, desistiu-se da ideia, estando, entretanto, prevista, uma assembleia dos dirigentes sindicais ainda no mês de Maio, onde se deverá reflectir sobre estas e outras situações laborais.

“Portanto, não há nenhum motivo para se celebrar o 1º de Maio. O momento é de nojo. As pessoas podem estar a festejar neste dia feriado para esquecer as tristezas e desanuviar”, reiterou o sindicalista.

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Autoria:Inforpress, Expresso das Ilhas,1 mai 2018 7:30

Editado porAndre Amaral  em  19 set 2018 3:22

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