Este ano o turismo vai estar em grande no Tarrafal

PorAntónio Monteiro,13 jan 2019 7:30

​Nas décadas de 70 e 80 Tarrafal foi a mais emblemática estância turística de Cabo Verde. Várias vezes anunciado, nunca concretizado, agora com os investimentos da Oásis Atlântico, cujo lançamento da primeira pedra dentro de dias para a construção de um resort de 171 quartos que deverá criar 120 postos de trabalhos directos.

Para uma segunda fase está prevista a construção de mais 500 apartamentos e a criação de 400 postos de trabalho. Com este investimento e várias outros na área da indústria hoteleira parece que Tarrafal volta a reencontrar o trilho perdido há dezenas de anos. É pelo menos o que assegura o presidente da Câmara Municipal do Tarrafal, em entrevista ao Expresso das Ilhas, nas vésperas da comemoração do dia do seu santo padroeiro que se assinala a 15 de Janeiro.



Porque é que se tornou necessário realizar na Praia um colóquio sobre o desenvolvimento do Tarrafal?

Devia colocar esta questão à comissão organizadora. A Câmara foi convidada e participou. De qualquer maneira devo dizer que a sua realização na Praia prende-se ao facto de nós termos um protocolo de amizade e cooperação com o município da Praia. Há já algum tempo que tínhamos levado o cheiro das festas de Santo Amaro Abade à cidade da Praia. Desta feita achamos por bem colaborar com a comissão organizadora para também reunirmos quadros do Tarrafal residentes na Praia com reconhecida competência e que são muitos, com os quais foi possível partilhar as realizações feitas, mas acima de tudo os desafios para o futuro à volta do painel “Município do Tarrafal no contexto da ilha e do país: sua contribuição e contributo dos seus quadros no desenvolvimento do concelho e do país”. Sobre esta matéria é o que tenho a dizer, porque, como disse, a iniciativa não foi da Câmara Municipal que apenas participou, mas fizemo-lo com todo o gosto e com o dever do ofício, até porque a Câmara esteve representada pelo próprio presidente.

Uma importante decisão saída do encontro foi o compromisso da criação da Fundação Santo Amaro Abade…

Sim, saiu a decisão da criação da Fundação Santo Amaro, mas também a este propósito há que contactar a comissão organizadora para não estar a invadir áreas alheias.

Sobre a sua intervenção no encontro podemos falar. Uma das suas promessas foi trabalhar para a classificação das festas de Santo Amaro como património nacional. A classificação já devia ter acontecido há algum tempo. O que é que atrasou o processo?

Como há-de entender, trata-se de um trabalho com uma certa delicadeza, porque envolve várias sensibilidades. Nós sempre dissemos que fazemos esse trabalho em articulação com a Paróquia. Depois de algum interregno, já retomamos o diálogo e agora estamos em condições de fechar o processo.

Estamos em 2019, em 2020 há eleições autárquicas em todos os municípios. O que lhe falta cumprir até final do seu mandato?

Em 2019, tendo em conta mais um ano de seca, preocupa-nos a escassez da água. Há que mobilizar mais água para os agricultores, para os criadores e para alguns perímetros do nosso município. Outro desafio é a criação de mais emprego principalmente para os jovens. Prosseguir com a política de requalificação urbana, continuar a colocar ênfase na problemática social e continuar a incentivar investimentos. Como sabe, há um grande investimento da Oásis Atlântico, cujo lançamento da primeira pedra será no dia 14, na véspera de Santo Amaro Abade. Este projecto irá criar só na sua primeira fase 120 postos de trabalhos directos, sem falar dos indirectos; na sua segunda fase prevê-se a construção de mais 500 bungalows. Vemos por aqui toda a dinâmica que este investimento irá criar, até porque nós sempre defendemos que a matéria-prima, produtos, mão-de-obra devem ser tudo local. Creio que este projecto vai representar um grande avanço para o município.

Em todo o caso, um grupo de jovens, que se diz descontente com o ritmo de avanço e desenvolvimento do Tarrafal, anunciou para esta sexta-feira uma marcha para exigir melhores condições nos vários sectores do município. Como analisa essa reivindicação?

Para já, enquanto Câmara nós ainda não nos posicionamos.

Há um ano disse ao Expresso das Ilhas que grassavam no município problemas como o desemprego jovem, dificuldades no acesso ao ensino superior e profissionalizante e o consumo de álcool e droga. Qual é o estado actual dessas questões?

O ensino superior foi sempre uma das grandes apostas desta câmara municipal e nós investimos e muito na formação superior. Há tempos, fruto de negociações com as universidades, negociamos as dívidas e os alunos, após a formação, com defesa da monografia e estágio feitos, puderam receber os seus diplomas e certificados. Relativamente ao ensino profissionalizante, depois da cedência do actual governo do ex-Centro de Saúde do Tarrafal à câmara municipal, já elaboramos um projecto que foi entregue à Cooperação Luxemburguesa e espero que a Cooperação financie o projecto para podermos ter um centro de formação profissionalizante aqui no município. Quanto ao álcool e à droga são situações que não afectam apenas o concelho, mas toda a ilha e o próprio país. Acredito que a formação, o combate ao desemprego, a inserção social e projectos sociais estruturantes poderão debelar, em parte, esses flagelos.

No Colóquio prometeu trabalhar para a criação de mais emprego para jovens. Com que medidas pretende concretizar esta promessa?

Com mais investimentos. A Oásis é um exemplo concreto; as obras de preparação do acesso e de requalificação de dois bairros próximos empregaram uma média de 80 trabalhadores por dia e há dias em que as empresas conseguiram colocar mais de 120 jovens num dia. Portanto, são com esses projectos e com esses investimentos que paulatinamente vamos debelando o problema do desemprego. Sendo certo que o foco terá de ser a formação, preparando os jovens desta forma para entrarem no mercado do trabalho.

A Câmara Municipal já tem um plano para a mitigação da seca?

Baseados na boa experiência tida o ano passado iremos continuar com a mobilização de mais água, construção de currais e de reservatórios, limpeza de poços, reparação de diques, distribuição de motobombas, de materiais e acessórios para rega, criação de postos de trabalho permitindo que as pessoas nas suas localidades tenham acesso ao trabalho, entre outras medidas.

Afirmou que em 2019 o turismo vai estar em grande no Tarrafal? Com que argumentos?

Com os investimentos da Oásis Atlântico, Mangue Empreendimentos e de outras iniciativas privadas. Só para dizer que nesta quadra festiva os hotéis, pensões e residenciais estão todos lotados. Há pessoas que estão a enveredar-se pela área da construção e isto irá seguramente criar mais empregos.

Ouve-se que a poluição sonora tornou-se um problema no Tarrafal que vem tirando tranquilidade aos munícipes e turistas. Confirma?

Este não é seguramente o problema maior. De qualquer maneira dificulta. Existe uma articulação com a Esquadra da Polícia Nacional local; temos o serviço de fiscalização a funcionar e pensamos que no dia 26 deste mês vamos aprovar o novo código de postura municipal precisamente para dar combate a casos do género por forma a não perturbar o crescimento normal do turismo e também para não perturbar quem tenha escolhido ou queira escolher Tarrafal como local de residência ou para passar férias.

A oposição municipal disse que votou contra o orçamento para 2019, porque os sectores-chave como o turismo, 4%, pesca, 0,5%, agricultura e pecuária, 1,8%, habitação social, 2%, foram contemplados somente com investimentos insignificativos.

Nós não temos essa leitura. Acho que a oposição deve justificar os dados e os números que avançou. Nós estamos no terreno, estamos a trabalhar, sabemos o que temos feito. Portanto, a oposição tem a sua leitura e nós temos a nossa. O que nos interessa é o nosso forte comprometimento com Tarrafal e continuarmos a trabalhar para, na medida do possível, melhorarmos as condições de vida dos munícipes. É nisto que estamos focados.

O que deseja aos tarrafalenses para o dia de Nhu Santu Amaru?

Que todos nós recebamos bênçãos de Nhu Santu Amaru Abade e que seja um dia de muita confraternização, de paz, alegria e de comunhão. E que todos nós, cada um no seu espaço próprio, contribua para o crescimento, desenvolvimento e para a melhoria das condições de vida desta população que bem merece.

Texto originalmente publicado na edição impressa do expresso das ilhas nº 893 de 9 de Janeiro de 2019.

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Autoria:António Monteiro,13 jan 2019 7:30

Editado porChissana Magalhães  em  13 jan 2019 14:34

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