Sindicato denuncia “despedimentos abusivos” e corte salarial no Hospital Agostinho Neto

PorSheilla Ribeiro,9 jan 2020 14:25

José Pereira Vaz
José Pereira Vaz

O Presidente do Sindicato Nacional dos Enfermeiros e técnicos de Saúde (SNETS) denunciou hoje, um corte salarial, com valores superiores a 20 mil escudos, a funcionários do Hospital Agostinho Neto (HAN), uma vez que estes estão sendo “obrigados” a trabalhar a mais horas.

José Pereira Vaz, que falava em conferência de imprensa, realizada na cidade da Praia, afirmou que a situação do HAN, “em nada tem melhorado”, uma vez que este Hospital Central carece de equipamentos essenciais, nomeadamente de imagiologia, anestesia, assim como de um melhor tratamento dos funcionários, de modo a proporcionar motivação profissional que, conforme diz, “há mais de três anos” se tem vindo a perder no seio daquela instituição.

“O bloco operatório é uma das coisas mais importante do HAN. Nesse momento, temos redução de tempo cirúrgico em quase todas as especialidades precisamente porque o bloco central está sem aparelho de anestesia e precisamos de aparelhos de anestesia novos para podermos abrir as outras salas de cirurgias”, afirmou José Pereira Vaz, para quem este facto é uma preocupação que o hospital tem que ter em conta.

A mesma fonte acusou ainda que ultimamente, vários funcionários sofreram cortes de salários em valores superiores a 20 mil escudos, porque são obrigados a trabalhar uma hora a mais por dia, 5 horas a mais por semana e 22 horas a mais por mês, com relação às outras estruturas de saúde a nível nacional.

“É de saber que o HAN é a única estrutura que obriga os técnicos, os administrativos e o pessoal auxiliar a trabalhar um horário superior às outras estruturas de saúde e o governo não diz nada. O ministério de saúde não diz nada, como se isso não tivesse a ver com eles”, manifestou. O sindicalista fez saber ainda que o SNETS já deu entrada no tribunal um processo sobre esta questão, mas, que até o momento o tribunal não pronunciou-se.

Por isso, informou que o SNETS vai se associar a manifestação organizada pelos sindicatos e pela UNTC-CS, a ter lugar no dia 11 de Janeiro, a partir das 10 horas, no largo do antigo Centro Social 1º de Maio, até ao Largo do Estádio da Várzea.

No que diz respeito aos 22 funcionários despedidos a 11 de Dezembro pelo HAN, o presidente do SNETS diz não acreditar que tinham contratos de substituição, conforme havia sido justificado pelo director do HAN, Júlio Andrade.

“Uma pessoa que está com 2, 4 anos prestes a completar 5 anos de serviço, você despede e diz que este contrato é prestação de serviço? Eu não acredito que seja assim. Acreditam que 22 pessoas realmente foram de férias ao mesmo tempo? Foram de férias por quanto tempo? Vinte e duas pessoas foram de licença por quanto tempo? Dois, quatro anos?“,  inqueriu, acrescentando que pelo menos 18 dos daqueles funcionários estavam a trabalhar há mais de 1 ano.

Para José Pereira Vaz, o concurso previsto poderia ser uma solução para esse problema, entretanto diz não acreditar no mesmo.

“Realmente, o concurso pode resolver esse problema. Mas, digo francamente que já não acredito nesta questão de concurso. Porque nós temos praticamente 100 e tal enfermeiros que foram colocados contra a parede e que foram tirados do hospital, foram colocados no quadro juntamente com alguns técnicos, num quadro que ninguém sabe como foi definido”, declarou.

O sindicalista avança que há enfermeiros que participaram no concurso, que estão a trabalhar e que há 8 meses aguardam pela nomeação, pelo que estão impedidos de usufruir dos direitos que possuem enquanto funcionários de quadro.

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SNETS HAN

Autoria:Sheilla Ribeiro,9 jan 2020 14:25

Editado porSara Almeida  em  9 jan 2020 21:24

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