Mãe de doente em “estado crítico” denúncia “descaso” nos cuidados ao filho de 15 anos

PorInforpress,16 ago 2020 16:07

Uma mãe de um doente covid-19 em “estado crítico” denunciou hoje aquilo que classificou de “descaso” nos cuidados dispensados ao filho de 15 anos num dos hospitais de campanha na Cidade da Praia.

Geralda Ramos, mãe Fábio Ramos de Santos, que desde sexta-feira à noite se encontra internado no hospital Agostinho Neto, depois de ter passado quatro dias no hospital de campanha no Estádio Nacional.

Enfermeira de profissão, Geralda Ramos conta que na sequência de alguns sintomas relatados pelo filho desde o dia 06 de Agosto, ligou para a linha verde 80011 12 na tentativa de receber alguma assistência do médico, mas que tal não foi possível.

Por isso deslocou-se ao Hospital Agostinho Neto onde o filho recebeu “o pronto atendimento”, e realizado o teste rápido com resultado positivo, foi submetido ao teste de PCR e mandado para casa.

No dia 10 de Agosto teve de regressar ao hospital devido ao aumento das queixas do filho, nomeadamente das dores no peito, tendo recebido a confirmação de infecção pela covid-19.

Geralda Ramos conta que enquanto enfermeira com alguma experiência na assistência aos doentes de covid-19, já que passou 30 dias fora de casa a trabalhar com doentes de covid no hospital da Trindade, e tendo em conta o protocolo que permite que doentes façam isolamento domiciliar, propôs que o filho ficasse ao seu cuidado em casa, mas que tal foi recusado.

“A médica aconselhou-me que como Fábio estava com alguns sintomas como a febre e dores no peito, que era melhor ele ficar no isolamento institucional, onde há acompanhamento médico e eu como profissional entendi”, disse.

Contudo, porque estava também em casa em quarentena à espera dos resultados dos exames a que a sua família fora submetida, disse que mantinha contacto com o filho menor, via telefone, que lhe relatava as pioras do seu estado de saúde.

“Sempre que o meu filho me chamava que estava com dores eu chamava a enfermeira, que me dizia que o meu filho estava bem e que ele só não estava a comer. Houve dia em me disse que estava com vómito e perguntei se o enfermeiro já lhe tinha assistido e disse que sim e que já tinha recebido paracetamol e vitamina C e conversamos até ele dormir”, contou.

Geralda Ramos acrescentou que já de madrugada recebeu uma nova chamada de madrugada do filho a queixar-se de dor e porque não estava a conseguir levantar e pediu ajuda do outro paciente que teve de se dirigir pessoalmente à enfermeira solicitando assistência ao Fábio, porque via telefone foi impossível.

“Esta enfermeira deu medicamento ao paciente para levar ao Fábio, eu assistindo tudo através do telefone”, relatou.

Por isso disse que pediu para levar o filho para casa, mas que médica entendeu que era melhor realizar outros exames ao paciente devido a suspeitas de infecção.

Esses exames, conforme indicou, não chegaram a ser realizados no dia seguinte porque foi informada pela enfermeira-chefe de que não havia viatura para transporte da colheita, tendo esta lhe informado também que o filho estava bem.

Contudo, adiantou que na tarde do mesmo dia, sexta-feira, recebeu uma chamada de um paciente que estava a ajudar o filho, a alertá-la para as pioras do estado do filho e da necessidade do mesmo ser visto por um médico.

“Liguei para a enfermeira-chefe que disse que entendia a minha aflição, mas por outro lado me disse que os pacientes muitas vezes exageram, querendo dizer que não estavam a falar a verdade, e eu pedi que eles transferissem o meu filho para o hospital antes que fosse tarde demais”, relatou.

Geralda Ramos conta que só depois de o filho ter feito um vómito de sangue é que decidiram transferi-lo para o hospital onde sábado recebeu a informação médica de que o filho está com hepatite e outros problemas e que o seu estado é grave.

“O meu filho pediu ajuda, os pacientes viram que o meu filho precisava de ajuda. O meu filho estava com olhos amarelados, com braços inflamados, lado direito de coxa inflado e os enfermeiros de serviço não viram que o meu filho necessitava de ajuda”, questionou.

“Toda vez que insistia como colega, eles me diziam que estava tudo bem e que o Fábio não lhes estava a explicar bem o que estava a sentir. Eles não assistiram e não chamaram o médico para assistir o meu filho, um adolescente de 15 anos”, lamentou.

Geralda Ramos deixa bem claro que está a fazer esta denúncia na qualidade de “mãe desesperada” com o propósito de evitar que outras mães passem por situações similares.

“Enquanto profissional passei 30 dias fora de casa longe da família e cuidar de pacientes, a cuidar de colegas que ficaram infectados e nada me fazia prever que o meu filho que pode ter apanhado infecção por minha causa, porque saio todos os dias para trabalhar, podia passar por esta situação porque não recebeu o devido tratamento”, anotou.

Reconheceu, entretanto, que neste momento os médicos estão a fazer de tudo na tentativa de salvar o filho e espera que assistência não esteja a ser tardia.

Desde 11 de Agosto que sua família foi submetida a exames para diagnóstico de covid-19, mas adianta que até hoje ainda não receberam os resultados.

Contudo, indicou, dos contactos realizados ficou a saber que os exames já estão prontos desde o dia 12.

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Autoria:Inforpress,16 ago 2020 16:07

Editado porSara Almeida  em  30 out 2020 23:20

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