Taxa de fecundidade diminuiu de 2,9 para 2,5 em 2018

PorSheilla Ribeiro,16 dez 2020 11:40

A taxa de fecundidade em Cabo Verde diminuiu de 2,9, em 2005, para 2,5 em 2018, mostrando que o crescimento da população está a desacelerar, conforme disse hoje o Director Nacional da Saúde, Jorge Barreto. A taxa de prevalência da infecção por VIH/SIDA passou de 08 para 05.

Jorge Barreto falava aos jornalistas à margem de um Atelier para a apresentação dos resultados definitivos do Terceiro Inquérito Demográfico e de Saúde em Cabo Verde (IDSR-III), realizado em 2018.

“A fecundidade diminuiu de 2,9 para 2,5, o que nos mostra que o crescimento da população está, podemos dizer,a desacelerar. Isto significa que no futuro podemos ter uma população mais envelhecida, menos pessoas jovens, portanto menos mão-de-obra e poderá ter alguma repercussão tal como vemos, neste momento, em países europeus que passam pela mesma situação”, referiu.

Esta diminuição é, segundo o DNS, “preocupante”. Mas, prosseguiu, “é importante” ter esta noção para que se possa tentar prever políticas de modo a evitar as consequências que podem advir.

Por sua vez, o Coordenador Técnico do Inquérito, Orlando Monteiro, informou que os dados são representativos a nível nacional, ou seja, cada ilha constituiu um domínio de estudo. A ilha de Santiago, avançou, foi dividida em dois domínios, Norte e Sul.

“As ilhas com menores taxas de fecundidade são: São Vicente, Sal e Boa Vista e em parte Santiago Sul. A maior taxa ao nível da fecundidade verifica-se na ilha do Fogo e em Santo Antão, nas ilhas mais rurais”, proferiu.

Quanto a prevalência da infecção por VIH, Orlando Monteiro anunciou que se em 2005 a prevalência era superior nos homens, em 2018 a taxa de prevalência foi superior nas mulheres. De um modo geral, houve uma diminuição da prevalência da infecção por VIH que passou de 08 para 05.

Ainda no que se refere ao VIH/SIDA, Jorge Barreto afirmou que a mulher sempre teve uma atenção “especial” por parte das instituições, especialmente do ministério da Saúde que “tem noção" de que é preciso haver um investimento maior na sensibilização das pessoas para o cumprimento das medidas de prevenção.

“Se for reparar, nas actividades que são feitas neste âmbito, as mulheres é que acabam por ter acesso mais frequente do que os homens. Principalmente, em relação ao pré natal onde se faz o rastreio desta infecção, as mulheres têm muito mais probabilidade em saber se estão ou não infectadas. Agora, nós sabemos como é que o VIH se transmite, e muitas vezes elas não têm o poder de negociação para evitar situações de risco”, considerou.

Para Jorge Barreto, de um modo geral, os resultados encontrados através da realização deste inquérito foram “muitos bons”, já que apresenta “melhorias consideráveis” nos 13 anos que separaram o inquérito de 2005 e de 2018, nomeadamente em relação a cobertura das consultas de pré-natal e aos partos.

“ Houve uma redução dos partos no domicílio passando, praticamente a maioria dos partos, a aconteceram a nível institucional o que dá mais garantias no bom decorrer das coisas”, relatou.

Em 2018, segundo Orlando Monteiro, pelo menos 11% das mulheres inqueridas declararam ter sido vítimas de violência doméstica. Relativamente à taxa de mortalidade infantil 16 em cada 1000 crianças que nasceram, morreram.

O IDSR-III é um projecto do governo de Cabo Verde e contém informações referentes ao sistema de saúde nacional, particularmente em termos de saúde materna e infantil, saúde reprodutiva, nutrição e práticas alimentares das crianças, atitude e comportamento perante o VIH/Sida e as Infecções Sexualmente Transmissíveis,  violência doméstica, entre outros,

A recolha ocorreu entre os meses de Fevereiro e Maio de 2018, junto de 8 897 agregados familiares. Foram inquiridos um total de 5.361 mulheres de 15-49 anos e 3.106 homens de 15-59 anos e, quase todas as informações recolhidas têm uma representatividade ao nível nacional.

O inquérito teve a assistência técnica da Utica Internacional, do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA), da Organização das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), assim como o empréstimo do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD).

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Autoria:Sheilla Ribeiro,16 dez 2020 11:40

Editado porSara Almeida  em  16 dez 2020 18:53

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