Quantos somos? Como vivemos? Para onde emigramos?

PorAndré Amaral,9 abr 2022 8:52

Instituto Nacional de Estatística (INE) apresentou, esta segunda-feira, os dados definitivos do Censo2021. Cabo Verde tem hoje menos habitantes do que há 10 anos

No total 491.233 pessoas vivem em Cabo Verde o que mostra que há hoje menos 450 pessoas no país do que havia há 10 anos, quando o Instituto Nacional de Estatística realizou o Censo 2010.

Os dados definitivos da operação de recenseamento geral da população mostraram que além da diminuição da população há um estreitamento da pirâmide etária o que indica que a população está a envelhecer e que há menos crianças a nascer.

“Relativamente a 2010, temos uma diminuição de 450 indivíduos. A nossa pirâmide etária mostra uma contracção da base, o que significa que temos baixa fecundidade e a par disso os dados de emigração mostram que estão a sair, sobretudo, jovens em idade reprodutiva, sobretudo mulheres”, disse a responsável da Unidade metodologia, concepção e análise do Gabinete do Censo, Elga Tavares, aos jornalistas à margem da apresentação dos dados definitivos do Censo2021.

Agregados familiares

Segundo os dados divulgados pelo INE a população residente em Cabo Verde é, na sua maioria, masculina (50,2%) e a única excepção é nos concelhos de Santiago, onde o número de mulheres supera o número de homens.

É na Praia que se concentra a maioria dos agregados familiares residentes no país. Os dados do INE dão conta da existência de um total de 147.984 agregados em todo o país dos quais 44.352 residem na capital. Segue-se São Vicente com um total de 25.071 agregados familiares e o Sal com 11.309.

Pelos dados divulgados pelo INE é possível concluir que a dimensão dos agregados familiares tem vindo a diminuir. No Censo realizado em 2010 um agregado familiar era constituído, em média, por 4,2 pessoas. Agora, 10 anos depois, um agregado tem em média 3,3 pessoas.

Por concelho, é nos municípios de Santa Cruz e Ribeira Grande de Santiago que o tamanho médio dos agregados familiares é maior sendo constituído por 4 pessoas. Já os menores ficam nos concelhos do Sal e Boa Vista onde cada agregado familiar é constituído, em média, por 2,9 pessoas.

Os agregados familiares nucleares, revela o INE, são dominantes constituindo 24,7% do total, seguem-se os agregados familiares unipessoais (21,5%) e os agregados familiares monoparentais nucleares (16,4%).

Habitação, água e electricidade

Mais de 90% da população tem acesso a electricidade e quase 75% a água potável de forma segura.

De acordo com os dados apresentados, esta segunda-feira, pelo INE, a proporção de população com acesso à electricidade era, em 2021, de 91,5%, e a que usava serviços de água potável “administrados de forma segura” de 74,7%.

Já em termos de habitação o INE revelou que nesta operação foram recenseados 150.206 edifícios, 201.348 alojamentos e que 2,1% da população urbana vive em “barracas, assentamentos informais ou habitação inadequada” e 0,2% em contentores ou outros locais improvisados.

Emigração

A emigração teve, na última década, um ligeiro abrandamento.

Segundo os dados, presentes no Censo2010, mais de 18 mil cabo-verdianos tinham procurado melhores condições de vida noutros países.

Agora, segundo os valores apresentados pelo INE, e referentes ao Censo2021, foram 17.961 os cabo-verdianos que emigraram.

Portugal é o principal destino (61,9%), seguindo-se os EUA (17,6%) e França (6,6%).

O relatório revela igualmente que a maioria dos emigrantes são mulheres (52,6%) e têm entre os 15 e os 34 anos (64,1%).

População estrangeira

No Censo2021 é revelado que vivem em Cabo Verde 10.875 pessoas de nacionalidade estrangeira. A maioria são homens (68,3%).

Já no que respeita a nacionalidades a Guiné-Bissau é o país com a maior comunidade a residir em Cabo Verde (33,7%), segue-se o Senegal e Portugal com 11,3% e 10% respectivamente. A China é a quarta maior comunidade estrangeira.

No que respeita a países da CPLP o INE mostra que em Cabo Verde residem cidadãos São Tomé e Príncipe, Brasil e Angola. 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1062 de 6 de Abril de 2022.

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Autoria:André Amaral,9 abr 2022 8:52

Editado porSheilla Ribeiro  em  10 abr 2022 8:02

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