Os dados foram hoje apresentados pela Comissão de Coordenação do Álcool e outras Drogas (CCAD) num workshop de socialização, na cidade da Praia.
A secretária-executiva da Comissão de Coordenação do Álcool e outras Drogas (CCAD), Raquel Lopes, sublinha que os resultados do inquérito reforçam a necessidade de apostar mais fortemente na prevenção e na educação.
“A nossa maior preocupação é agora investir na educação, na prevenção e fazer com que a iniciação do uso do tabaco seja cada vez mais prolongada”, afirmou.
Segundo a responsável, o estudo mostra que os jovens estão a começar a consumir tabaco cada vez mais cedo, o que acentua o risco de dependência e de problemas de saúde a longo prazo.
“Os dados indicam que os jovens começam a consumir tabaco em idades muito precoces. Por isso, a nossa prioridade é trabalhar a prevenção, junto das escolas e das associações desportivas, onde há uma grande concentração de crianças e adolescentes, para evitar o início do consumo ou, pelo menos, adiá-lo para uma fase mais tardia”, explicou.
Raquel Lopes esclarece que a escolha do Liceu Domingos Ramos, na cidade da Praia, para a apresentação dos dados do estudo, deve-se apenas ao facto de o estabelecimento ter feito parte da amostra nacional.
“A amostra foi aleatória, e o Liceu Domingos Ramos foi um dos incluídos. Não há nenhuma razão específica para termos escolhido esta escola, apenas quisemos apresentar os resultados num dos locais onde o inquérito foi aplicado”, referiu.
Relativamente às ações futuras, a secretária-executiva adiantou que o país já dispõe de um Plano Estratégico Nacional de Prevenção do Consumo do Tabaco, dentro do qual são definidas as atividades anuais da CCAD.
“Temos trabalhado em acções de sensibilização e educação para que cada vez menos pessoas tenham acesso e contacto com o tabaco”, disse, acrescentando que a comissão está também a reativar os núcleos concelhios de prevenção em todas as ilhas.
“Queremos que, em cada concelho, existam núcleos capazes de desenvolver o trabalho de prevenção com o apoio da CCAD. A nossa meta é a prevenção — é nas comunidades que tudo começa”, reforçou.
Raquel Lopes reconhece ainda a necessidade de abranger os jovens fora do sistema escolar, apontando que a resposta deve ser articulada com diferentes sectores.
Segundo a coordenadora nacional do GYTS, Heloísa Borges, os dados agora divulgados permitem compreender a realidade actual do consumo de tabaco entre os jovens e servem de base para que sejam tomadas medidas adequadas de prevenção e controlo.
O estudo, conduzido em colaboração com o Centro de Prevenção e Controlo de Doenças dos Estados Unidos (CDC), é realizado a cada cinco anos. No entanto, Heloísa Borges recorda que houve um intervalo maior entre as duas últimas edições.
“O primeiro inquérito foi feito em 2007 e o segundo em 2013. Era para termos feito o seguinte em 2019, mas, devido à pandemia da Covid-19, só conseguimos retomá-lo em 2023”, referiu.
A próxima edição está prevista para 2028 e, segundo a coordenadora, continuará a abranger escolas de todo o país.
O GYTS, um componente do Sistema Global de Vigilância do Tabaco (GTSS), é um padrão global para monitorizar sistematicamente o consumo de tabaco pelos jovens e acompanhar os principais indicadores do controlo do tabaco.
Utiliza uma metodologia global padronizada que inclui uma amostragem em duas fases, sendo as escolas selecionadas com uma probabilidade proporcional à dimensão dos alunos matriculados.
As turmas das escolas selecionadas são escolhidas aleatoriamente e todos os alunos das turmas selecionadas são elegíveis para participarem no inquérito.
A taxa de resposta global do GYTS foi de 91,6%. Um total de 2.729 alunos elegíveis do 8ª ao 10° ano responderam ao inquérito, dos quais 1647 tinham idade compreendida entre os 13 e os 15 anos.
Foto: depositphotos
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