Em declarações à Inforpress, Severino Horta da Veiga, agricultor da localidade de Principal, disse ter aderido à manifestação devido aos prejuízos constantes causados pelas pragas, sublinhando que nenhuma cultura escapa, desde mandioca, papaia, banana a feijão congo.
Segundo afirmou, apesar do investimento na sementeira, não conseguiu colher qualquer produção.
Com cerca de 80 anos, Severino Horta da Veiga explicou que sempre conviveu com a presença de macacos e galinha-do-mato, mas considera que a situação se tornou “incontrolável e insustentável”, alertando que muitos agricultores dependem exclusivamente da terra para garantir a subsistência das suas famílias.
Outro agricultor, Benício Mendes, da localidade de Pilão Cão, defendeu a união dos produtores para exigir respostas concretas, alertando que o abandono progressivo dos terrenos agrícolas está a empurrar as pragas para zonas mais próximas das habitações, incluindo pequenas hortas nos arredores das casas.
Segundo Benício Mendes, a aproximação dos animais às áreas habitadas aumenta o receio de conflitos com a população, temendo que os macacos passem a invadir quintais e, eventualmente, residências, agravando ainda mais o problema social e económico vivido no município.
Nesta mesma linha, Fátima Furtado, agricultora de Veneza com parcelas em Campo Grande e Pilão Cão, relatou dificuldades acrescidas, afirmando que as pragas destroem sucessivamente as hortas e que, no caso dos macacos, há situações de intimidação, obrigando as pessoas a afastarem-se para evitar agressões durante o trabalho agrícola.
Também Anastácio da Veiga, da ribeira de São Miguel, manifestou preocupação com a segurança da população, sobretudo idosos e crianças, referindo que a presença frequente de macacos junto a pontos de água está a limitar o acesso seguro a esses locais.
De visita ao município, o deputado do MpD eleito por Santiago Norte Francisco Sanches afirmou que o Governo tem conhecimento da situação e que está em curso um estudo envolvendo os ministérios da Agricultura, Administração Interna e Defesa, com vista à definição de uma solução conjunta.
O parlamentar sublinhou que o combate às pragas deve respeitar a legislação sobre a proteção animal e a posse de armas, reconhecendo a necessidade de encontrar um equilíbrio que permita proteger a produção agrícola sem criar novos problemas.
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