Maria da Luz Lima fez essa afirmação à imprensa após a cerimónia de abertura da acção de formação para o reforço de competências sobre “Resistência aos antimicrobianos” realizado no âmbito da abordagem “Uma só saúde”.
“Nós temos casos nos hospitais, particularmente nos hospitais centrais, em que se começa com um antibiótico de base, que é eficaz para essa doença, mas que depois não se nota melhora, então aumenta-se a dose ou troca-se por um antibiótico mais potente para que a pessoa possa ser recuperada”, comentou, recomendando as pessoas a não se automedicarem.
Segundo a presidente do INSP, a penicilina, há uns anos atrás, era um tratamento eficaz para as amigdalites e que hoje em muitos países já não se usa porque o micro-organismo está resistente, pelo que se está a utilizar medicamentos mais potentes.
Face a essa resistência, avançou a necessidade de se mudar ou aumentar as doses dos antibióticos ou os antivíricos para que sejam mais eficientes e mais potentes aos antimicrobianos, enfatizando por outro lado, que provavelmente no futuro o mundo vai voltar à era pré-antibiótica, ou seja, “os medicamentos vão deixar de ter efeito e terá de se descobrir tudo de novo”.
Perante esta ideia, afirmou que o uso exagerado de antimicrobianos são os principais factores que aceleram a resistência e que afeta a saúde humana, animal e ambiental, daí ser tratada na abordagem “Uma só saúde”.
“Por isso, além da formação, estamos a ver também se Cabo Verde tem um sistema de vigilância de resistência aos antimicrobianos complexo, temos que ter laboratórios com capacidade para fazer os testes, e ter normas nacionais que respondam às necessidades do perfil de doenças existentes e como devem ser tratadas”, ajuntou, admitindo ser um problema que requer “muita acção conjunta das três saúdes”.
Lembrou que em 2023/2024 o INSP fez um estudo sobre a matéria e elaborou uma carta microbiológica que inclui o perfil dos antimicrobianos e dos métodos de resistência em Cabo Verde, sublinhando que, neste momento, estão a trabalhar com os hospitais para a sua divulgação.
“Há que sensibilizar a população a não comprar medicamentos antimicrobianos de qualquer maneira, tem que ter obrigatoriamente prescrição médica, ou seja, apostando na prevenção acreditamos que Cabo Verde poderá dar um passo importante na luta aos antimicrobianos”, finalizou, apontando a sensibilização da população como um meio importante já que o trabalho é multissetorial.
A formação, que conta com a participação de 40 profissionais, entre médicos, veterinários, biólogos, técnicos da área ambiental, microbiologistas e técnicos de laboratório, visa promover uma abordagem multissetorial e colaborativa.
A iniciativa regional, financiada pelo Grupo Banco Mundial, que integra Cabo Verde, Guiné e Libéria, é realizada no âmbito do Programa de Segurança Sanitária na África Ocidental e Central (HeSP).
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