O documento destaca a estabilidade democrática do país, sublinhando a realização regular de eleições competitivas e a alternância de poder entre partidos rivais como sinais claros de maturidade institucional. No índice, Cabo Verde alcança 38 em 40 pontos nos Direitos Políticos e 54 em 60 nas Liberdades Civis, mantendo os mesmos níveis do ano anterior.
Apesar do desempenho positivo, o relatório não deixa de apontar fragilidades. Entre os principais constrangimentos identificados está o funcionamento do sistema judicial, considerado sobrecarregado, o que limita o acesso à justiça por parte dos cidadãos. A criminalidade continua também a ser uma preocupação relevante, num contexto em que persistem desigualdades sociais, sobretudo no que diz respeito à condição das mulheres e dos trabalhadores migrantes.
A avaliação da Freedom House insere-se num cenário global mais preocupante. De acordo com o relatório, a liberdade no mundo enfrenta um declínio contínuo há duas décadas, com o reforço de regimes autoritários e a erosão de instituições democráticas em várias regiões. Este contexto internacional adverso torna o desempenho de países como Cabo Verde ainda mais significativo, ao manter padrões elevados de governação democrática.
O relatório chama ainda a atenção para a necessidade de reforçar a cooperação entre países democráticos, numa altura em que a ordem internacional é cada vez mais contestada. A organização defende que a resiliência das الديمقacias dependerá de uma ação coletiva mais coordenada, bem como de um renovado apoio à sociedade civil, à comunicação social independente e às instituições democráticas.
Outro eixo central das recomendações passa pelo envolvimento das gerações mais jovens. Segundo a Freedom House, cresce o descontentamento dos jovens com a democracia, não por rejeição dos seus princípios, mas pela perceção de que as instituições falham na sua concretização. O relatório sugere a criação de mecanismos que incentivem uma participação política mais ativa, desde o voto até à liderança comunitária.
Além disso, a organização destaca o papel crescente do espaço digital na formação da consciência cívica. Nesse sentido, recomenda o investimento em educação cívica digital, literacia mediática e no fortalecimento de ecossistemas online seguros e transparentes, capazes de resistir à desinformação e a operações de influência.
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