Segundo a directora nacional de Saúde, Ângela Gomes, a transferência médica encontra-se “devidamente planeada” e será executada “com base em rigorosos protocolos internacionais de segurança”.
“Temos a previsão de fazer a transferência de dois doentes, possivelmente também de um terceiro, com o envolvimento de todas as autoridades competentes e garantindo todos os sistemas de segurança adequados”, afirmou a responsável.
A operação de repatriamento deverá ocorrer ainda hoje, com a chegada ao país do referido avião-ambulância, embora sem horário divulgado, sendo prioridade garantir a máxima segurança durante todo o processo.
Em declaração à Rádio de Cabo Verde (RCV), a directora nacional da Saúde garante que os pacientes, de acordo com a avaliação médica, encontram-se “estáveis, apresentando apenas sintomas leves e com sinais vitais controlados”.
A mesma fonte garantiu ainda que a equipa de saúde que acompanha a situação a bordo mantém monitorização permanente, assegurando “o acompanhamento clínico adequado”.
Apesar da situação, Ângela Gomes assegura que Cabo Verde não enfrenta qualquer ameaça sanitária interna.
“Trata-se de uma situação pontual, confinada à embarcação, sem risco para o território nacional”, assegurou, sublinhando que todas as medidas preventivas foram adoptadas para proteger a população.
A diretora nacional da Saúde disse ainda que o estado psicológico dos passageiros “permanece estável”, não havendo registo de situações de alarme a bordo.
As autoridades nacionais continuam em contacto direto com o capitão do navio e disponibilizaram apoio psicológico sempre que necessário.
Relativamente a eventuais receios sobre a origem do vírus, nomeadamente a associação a roedores, a responsável esclareceu que não existe qualquer evidência da presença da doença em Cabo Verde.
“Nunca tivemos registo deste vírus no país, e a existência de ratos [em Cabo Verde] não implica risco de transmissão”, explicou.
O cruzeiro permanece ancorado ao largo da cidade da Praia devido a um surto viral que continua a merecer destaque na imprensa internacional.
Especialistas alertam que navios de cruzeiro, pela sua natureza itinerante, podem facilitar a propagação de vírus entre diferentes portos, aumentando a necessidade de medidas de controlo sanitário mais apertadas.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) já anunciou o reforço das investigações, incluindo a realização de testes biológicos adicionais, estudos epidemiológicos detalhados e o sequenciamento do vírus.
O objetivo é identificar a origem das infecções e compreender como um vírus considerado marginal pode evoluir para um surto com impacto significativo em ambiente marítimo.
A directora nacional da Saúde afiançou à imprensa que Cabo Verde enviou para Dacar (Senegal) parte das amostras recolhidas a bordo do cruzeiro Hondius, no âmbito das investigações sobre a referida doença respiratória na embarcação.
O navio de cruzeiro holandês, que não foi permitido atracar no Porto da Praia, fazia a ligação entre Argentina e Cabo Verde, que está a ser afectado por um surto de síndrome respiratória aguda, que se prevê ser infecção por hantavírus.
A hantavirose é uma doença infecciosa aguda e grave, transmitida por roedores (ratos) silvestres.
A infecção ocorre principalmente pela inalação de partículas de urina, fezes ou saliva desses ratos, podendo evoluir para Síndrome Cardiopulmonar (grave falta de ar) ou, menos comum, síndromes renais.
A inalação de partículas contaminadas - por exemplo, durante a limpeza de espaços com presença de ratos - é uma das formas mais comuns de infecção.
O navio m/v Hondius tem sete andares, 80 cabines e uma capacidade máxima de 170 passageiros.
Foi construído em 2019, está registado nos Países Baixos e é operado pela Oceanwide Expeditions.
Tem 107,6 metros de comprimento e 17,6 de largura, um calado de 5,30 metros e atinge a velocidade de 15 nós.
A bordo estão 57 tripulantes, 13 guias e um médico.
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