O responsável falava à margem da conferência “VisionWare: Cibersegurança na Atualidade - Desafios e Regulação”, que decorre hoje no TechPark, na cidade da Praia. Segundo Bruno Castro, o país tem uma estratégia bem definida para prestar serviços digitais ao mundo, mas a confiança dos investidores e dos parceiros depende da capacidade de proteger dados, sistemas e infraestruturas.
“Nós, o que aplicamos por todo o mundo onde a VisionWare atua, aplicamos exatamente o mesmo nível de exigência e rigor nas organizações e instituições em Cabo Verde. Nós vemos, efetivamente, uma estratégia clara de Cabo Verde ser um hub digital, portanto, de vender serviços daqui para o mundo, esse conforto, essa confiança só vem com segurança. Portanto, não é possível ter uma estratégia de hub digital em que se quer fornecer serviços seguros altamente inovadores, tecnológicos, estáveis, sem ver o patamar da cibersegurança, e portanto, é um requisito para essa estratégia que está em vigor neste momento pelo Estado e pelo país”, alerta.
O fundador e CEO da VisionWare refere que Cabo Verde está tão exposto ao cibercrime como qualquer outro país, já que os ataques informáticos não conhecem fronteiras.
“Cabo Verde está precisamente posicionado no mesmo sítio onde está toda a geografia em termos de ecossistema digital, ou seja, o ciberespaço hoje não tem fronteiras, portanto, é importante valorizar muito bem isto, o cibercrime quando atua, atua muito mais por setor do que por geografia, e portanto Cabo Verde está posicionado num ecossistema que existe, é ciberespaço, não tem fronteiras e portanto quando existe uma ação de cibercrime potenciada por um grupo cibercriminoso, atua em Cabo Verde como atua na Polónia, em França ou nos Estados Unidos”, explica.
Bruno Castro sublinha que o cibercrime é um negócio altamente lucrativo e que os ataques continuarão a acontecer. Por isso, defende que o mais importante é prevenir, conhecer os riscos e garantir uma recuperação rápida para minimizar os impactos.
“Nós não podemos esquecer que o cibercrime é um modelo de negócio muito rentável e, portanto, os ataques são direcionados por grupos altamente inovadores, com boas competências técnicas e que têm como foco a rentabilidade, e, portanto, haver um ciberataque vocacionado para Cabo Verde para uma organização madura, e ela ser vítima não é nada escandaloso, faz parte de viver num ciberespaço. E portanto, o que é mais relevante aí, obviamente, são ações preventivas que se fazem, portanto, se nós somos capazes de nos auto avaliar regularmente sobre nossas falhas de segurança, o nosso nível de maturidade, ao nível das pessoas por aí fora, mas muito importante, é nossa capacidade de recuperar após um ciberataque”, sublinha.
O CEO da VisionWare acrescenta que a inteligência artificial veio aumentar os desafios da cibersegurança, tornando os ataques mais sofisticados e difíceis de detetar, além de facilitar a criação de vídeos falsos, campanhas de desinformação e diferentes tipos de fraude. A conferência reúne especialistas de Cabo Verde e de Portugal para debater os principais desafios da cibersegurança, através de workshops e palestras orientadas por profissionais do setor.
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