A posição foi apresentada por Jorge Spencer Lima, no final da reunião do Conselho Superior das Câmaras do Comércio e Turismo de Cabo Verde, que reuniu os presidentes da Câmara de Comércio de Barlavento, da Câmara de Comércio de Sotavento e da Câmara de Turismo de Cabo Verde.
Jorge Spencer Lima, que assumiu a presidência rotativa do Conselho Superior durante a reunião, anunciou que estas propostas, consideradas prioritárias, serão apresentadas ao novo Governo, liderado por Francisco Carvalho.
Entre as principais reivindicações figura a efectivação do acordo de transferência de competências para as câmaras, assinado pela primeira vez em 2017 com o Governo e renovado em 2018 através de novos protocolos envolvendo vários ministérios, mas que, segundo Jorge Spencer Lima, nunca saiu do papel.
"Estamos à espera desde 2017. Foram assinados acordos, mas nada foi concretizado. Vamos colocar novamente este assunto nas mãos do novo Governo", afirmou.
Outra prioridade passa pela transferência da gestão e da propriedade da Feira Internacional de Cabo Verde para as câmaras de comércio.
Segundo explicou, as câmaras chegaram a assegurar a gestão da FIC, mas nunca passaram a deter as respectivas participações, situação que acabou por ser revertida com o regresso da feira à esfera pública.
Jorge Spencer Lima alertou ainda para a necessidade de resolver a situação da FIC em São Vicente, defendendo a construção de um espaço próprio para acolher o certame.
Na sua perspectiva, o futuro recinto deverá localizar-se numa zona próxima da cidade, como a Galé, por considerar que a realização da feira dinamiza a economia local e facilita a participação dos visitantes, ao contrário de uma eventual localização na Zona Industrial do Lazareto.
Acrescentou, contudo, que as dificuldades não se limitam a São Vicente, lembrando que também a Praia necessita de melhores condições para acolher a FIC, uma vez que o espaço actualmente utilizado apresenta limitações estruturais, designadamente uma cobertura degradada.
O presidente do Conselho Superior defendeu igualmente a construção de centros de convenções nas cidades da Praia e do Mindelo, considerando que Cabo Verde deve apostar no turismo de negócios e de conferências para complementar o turismo de sol e praia.
"Temos de investir noutro tipo de turismo. Precisamos de salas de conferências e de centros de convenções para acolher eventos internacionais e dinamizar a economia destas cidades", sustentou, revelando que chegou a ser elaborado um anteprojecto para esse efeito.
Jorge Spencer Lima manifestou confiança na abertura do executivo para concretizar algumas destas medidas, mostrando-se particularmente optimista quanto à criação de um espaço condigno para a realização da FIC em São Vicente.
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