José Maria Neves contra "neoliberalismo desenfreado" do Governo

PorExpresso das Ilhas, Lusa,16 abr 2018 6:53

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José Maria Neves
José Maria Neves

O ex-primeiro-ministro, José Maria Neves, mostra-se preocupado com a tendência de entrega de sectores estratégicos do país, como o transporte aéreo, a empresas estrangeiras, alertando para os riscos do "neoliberalismo desenfreado".

"Para um país pequeno, frágil, como Cabo Verde, há determinadas questões que devem ser mais ponderadas. Em Cabo Verde, o neoliberalismo desenfreado não leva a bons resultados. Temos é de ter o Estado suficiente e necessário para catalisar o processo global de desenvolvimento", defende José Maria Neves.

Em entrevista à agência Lusa, a propósito do primeiro aniversário da Fundação com o seu nome, o ex-primeiro-ministro questiona algumas das medidas tomadas pelo actual Executivo do Movimento para a Democracia (MpD), considerando que "mereceriam mais ponderação, consenso e transparência".

Para José Maria Neves, o caso da reestruturação da empresa pública de transportes aéreos (TACV) é paradigmático da falta "cautelas redobradas" na gestão do património público.

José Maria Neves admite que qualquer que fosse o Governo saído das eleições de 2016, a situação da empresa, que acumula mais de 100 milhões de euros de passivo, era insustentável e teria de ser reestruturada.

Considera, no entanto, "um erro estratégico de fundo" a entrega do mercado doméstico e regional à Binter CV, detida pela Binter Canárias, considerando que acabou com a vantagem competitiva de Cabo Verde relativamente ao mercado da Comunidade de Estados da África Ocidental (CEDEAO).

"A grande vantagem competitiva de Cabo Verde em relação as Canárias era o facto de sermos membros da CEDEAO. A estratégia de Espanha em transformar as Canárias numa plataforma de negócios na região africana é a mesma estratégia de Cabo Verde. A grande questão estratégica das Canárias era poder estabelecer uma ligação com a região. A TACV já tinha a ligação com Dakar (Senegal) e com Bissau (Guiné-Bissau), podia fazer esses voos regionais que eram estratégicos para Cabo Verde", lembra.

Mas, prossegue Neves, "logo à primeira, este Governo desestruturou a TACV nacional e entregou os voos entre as ilhas e regionais à Binter, que claramente vem aqui para implementar a estratégia das Canárias, eliminado a vantagem comparativa que Cabo Verde tinha".

José Maria Neves adianta que o cenário de separação das operações nacional e internacional da TACV já "estava sobre a mesa" com o seu Governo e que só não avançou por o processo ter ficado concluído num ano pré-eleitoral

"O que não estava sobre a mesa era a extinção da TACV nacional e a sua entrega em regime de monopólio a outra empresa. Não estava sobre a mesa também a ideia peregrina de passar a base dos TACV para ilha do Sal, abandonando os outros aeroportos internacionais", diz.

Para Neves, a ideia do "hub" do Sal fazia sentido quando não existiam os restantes aeroportos internacionais. Com quatro aeroportos internacionais, o ex-primeiro-ministro considera que a ideia deve ser aplicada a todo o país.

"Devíamos era trabalhar para que um número cada vez maior de pessoas viesse a Cabo Verde, para turismo, para fazer transito, usando qualquer um dos quatro aeroportos internacionais e nunca a TACV devia sair do mercado da diáspora", entende.

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,16 abr 2018 6:53

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  17 abr 2018 13:09

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