O presidente da JPAI, Fidel Cardoso disse hoje numa conferência de imprensa que, face à actual situação de suicídio no país, o Governo deve tomar medidas concretas e imediatas para abordar as causas subjacentes deste fenómeno, especialmente entre os jovens.
“A juventude cabo-verdiana tem enfrentado desafios sem precedentes, desde problemas socio-económicos até questões de saúde mental, que poderão estar a contribuir para esta triste realidade. Neste sentido, identificamos como possíveis causas subjacentes a essa crise, os problemas de saúde mental, como a depressão, ansiedade, ou a esquizofrenia; o bullying; o abuso de substâncias tóxicas; os problemas de foro familiar; o desemprego juvenil; a falta de acesso a serviços de saúde mental adequados; a pressão social e familiar; a falta de perspectivas de futuro e a marginalização de certos grupos dentro da sociedade. Esses factores combinados podem criar um ambiente propício para o desespero e a desesperança, levando muitos jovens a verem o suicídio como a única saída”, revela.
Além do Governo, a JPAI apela à sociedade cabo-verdiana como um todo para que se una nesta luta contra o suicídio.
“É de extrema importância que haja uma sinergia entre os vários actores da sociedade no sentido de trabalharem juntos, desde o Governo central e local às instituições de ensino, incluindo as famílias, as comunidades, as organizações da sociedade civil, e que envolvam activamente para que este problema seja abordado de forma abrangente, de modo que se possa delinear estratégias integradas de combate e prevenção ao suicídio e no especial apoio aos jovens em situação de vulnerabilidade”, defende.
Para Fidel Cardoso, a crise do suicídio entre os jovens em Cabo Verde é uma emergência que não pode mais ser ignorada. “A JPAI está comprometida e disponível para contribuir para que se encontre caminhos eficazes para esta questão, sobretudo em matéria de prevenção”.
Neste sentido propõe ao Governo que efectue um estudo aprofundado sobre o suicídio no país, com enfoque especial nos jovens e aposte no reforço de técnicos e especialistas ligados área.
“Investir no aumento do acesso a serviços de saúde mental, exortar o governo trabalho de prevenção de suicídio nas escolas, nas universidades e nas comunidades; fomentar habilidades sócio–emocionais nos adolescentes; Identificar, avaliar, gerir, orientar e acompanhar precocemente pessoas com comportamentos suicidas; e implementar campanhas de conscientização e combate a discriminação de estigmas associados à saúde mental”, indicou o presidente da JPAI.