Segundo a Presidente da FNMPAI, Ana Paula Moeda, o actual executivo reduziu drasticamente o número de mulheres para três em um total de 22 membros, resultando numa diminuição significativa da representação feminina com implicações profundas para a paridade e o equilíbrio de género.
“A solução do MPD apresentada ao País no âmbito da remodelação governamental, há escassos 10 dias, reverter os avanços que Cabo Verde havia feito em termos de inclusão feminina na política e confirma a orientação do MPD pela memorização da participação das mulheres, tão flagrante durante as últimas eleições autárquicas”, frisa.
Ana Paula Moeda afirmou que a representação das mulheres no espaço político e de decisão, tornou-se ainda mais frágil e “diríamos mesmo, que passamos a ter, uma verdadeira sub-representação e subalternização das mulheres, calculado e assumido pelo actual Chefe do Governo, Ulisses Correia e Silva, com consequências negativas para a política e para a sociedade no geral”.
Para a presidente da FNMPAI, a sub-representação das mulheres não apenas compromete a equidade nas decisões políticas, mas também pode afectar negativamente a formulação de políticas que considerem, as perspectivas e necessidades femininas, bem como as das famílias cabo-verdianas.
“A diversidade nas esferas de decisão é crucial para garantir que as políticas públicas atendam a toda a população. Portanto, essa remodelação vai resultar em um Governo menos sensível às questões sociais bem como às de género e à promoção da igualdade”, assegura.
Conforme disse, esta remodelação governamental é um autêntico retrocesso, uma vez que reforça a ideia de que as decisões políticas são predominantemente masculinas, limitando claramente a voz, a influência e a acção das mulheres que em 2008, e seguintes, durante o Governo do PAICV, Cabo Verde foi um dos 1º países no mundo a atingir a paridade no elenco governamental com 8 Ministras, 7 Ministros e o 1º Ministro.
“Em 2008, as mulheres chegaram a representar 60% de Ministros, constituindo um peso enorme e bem conseguido. A atitude do 1º Ministro em reduzir significativamente a representação feminina no Governo é vista como um recuo em termos de paridade e igualdade de género em Cabo Verde”, garante.
Para Ana Paula Moeda, essa flagrante falta de representatividade está à revelia da maioria dos cidadãos que, pelas eleições, determinam os poderes e que, pelas contribuições e impostos, sustentam os seus titulares.
“Perante estes sinais de desnorte e de descompasso, que resultou num Governo quase sem mulheres, quase sem membros das outras ilhas e regiões e quase sem jovens”, afirma.
homepage








