​“Germano é um contador de vidas” - Brito-Semedo

PorNuno Andrade Ferreira,29 mai 2018 20:26

Germano Almeida
Germano Almeida

“O Fiel Defunto”, novo livro do escritor Germano Almeida, foi lançado ao cair da tarde desta terça-feira, no Mindelo, em São Vicente. O lançamento aconteceu uma semana depois da atribuição do Prémio Camões ao mais popular e traduzido autor cabo-verdiano.

O cliché é inevitável e, por isso, fica já despachado: o auditório do Centro Cultural do Mindelo encheu-se para a apresentação do 18º livro (17º na Ilhéu Editora) do escritor, nascido na Boa Vista, há 30 anos a residir no Mindelo.

Manuel Brito-Semedo, a quem coube apresentar “O Fiel Defunto”, falou de um romance “de leitura agradável, cheio de humor” e prometeu “uma obra para se ler num fôlego”, escrita por alguém que se define como um “contador de estórias”.

Ao longo de 317 páginas, de regresso a um tema que cruza parte importante da sua obra - a morte - Germano propõe agora uma “paródia” em torno de um escritor que, depois de um interregno, volta a publicar mas é assassinado no dia do lançamento.

Confrontando com esta “predilecção especial” do autor pela morte – e pelos mortos – Brito-Semedo tenta uma explicação quase freudiana (e verídica): é que, ao longo da infância e juventude, Germano Almeida esteve, ele próprio, por várias vezes, confrontado com a sua própria ‘quase morte’, habituando-se a trata-la ‘por tu’.

Mas deixemos a morte de lado. Em “O Fiel Defunto” há Germano e haver Germano significa haver Mindelo, São Vicente e Cabo Verde, cidade, ilha e país tal como os conhecemos. Por lá encontraremos, entre outros personagens, um presidente de câmara demasiado ocupado ou um ministro da Cultura desejoso de assumir o papel principal.

“O Fiel Defunto é a efabulação da realidade sanvicentina e de Cabo Verde, do ponto de vista social, cultural e político, em que o autor ironiza e troça dos seus muitos tiques, próprios de um meio pequeno”, recordou Manuel Brito-Semedo.

Se preferirmos, e citando a editora, Ana Cordeiro, "toda a obra de Germano Almeida pode ser vista como um continuado esforço para descrever a cabo-verdianidade". 

Nascido em 1945, Germano é autor de livros emblemáticos da literatura cabo-verdiana, como "A Ilha Fantástica", "Eva", "O Testamento do Senhor Napomuceno", "Os Dois Irmãos", entre outros.

Germano Almeida foi o segundo autor nacional a ser distinguido com o Prémio Camões, depois de Arménio Vieira, em 2009.

Em Portugal, o livro também chegou esta terça-feira às livrarias, com a habitual chancela da Caminho, do grupo Leya. 

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Autoria:Nuno Andrade Ferreira,29 mai 2018 20:26

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  16 dez 2018 3:22

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