Bailarinos querem plano concreto para a dança em Cabo Verde

PorDulcina Mendes,10 set 2018 8:04

Os bailarinos querem algo concreto, como festivais de dança, e mais encontros para reflectirem sobre essa área. O desejo foi manifestado numa Conversa Aberta que aconteceu na passada quinta-feira no Palácio da Cultura, na Cidade da Praia, onde participaram alguns bailarinos.

Esta conversa teve como convidados Mano Preto, Bety Fernandes, Jeff Hessney, Tony Tavares, e foi moderado pelo Director Geral das Artes e Indústrias Criativas, Adilson Gomes.

A abertura desse evento começou com o discurso do Director Geral das Artes e Indústrias Criativas, que queria saber como é que está a dança em Cabo Verde.

O objectivo do evento, conforme Adilson Gomes foi ouvir as preocupações e sugestões dos bailarinos. “Fizemos uma conversa de forma descontraída para que cada um deixasse a sua reflecção. Vamos tomar notas que depois vamos levar ao Ministro da Cultura”.

Adilson Gomes deu o exemplo da bailarina cabo-verdiana Marlene Freitas que foi premiada com o Leão de Prata na Bienal de Veneza. “Isso quer dizer que temos que apostar muito nesta área. A nível do Ministério da Cultura vamos ver o que podemos fazer para essa área”.

Para o bailarino e coreografo da companhia de dança Raiz di Polon, Mano Preto, a dança já teve um apogeu mesmo sem apoios estatais, e que hoje em dia há mais condições e espaços para os bailarinos ensaiarem. “As pessoas que querem seguir a dança têm hoje mais condições para o fazer e levar a dança para um patamar de excelência”.

Para Nicole Azevedo, professora de ballet clássico, é muito importante a união da classe, porque há muitas oportunidades lá fora que os nossos bailarinos podem aproveitar. “Fomos para Macau (China) e vimos um mundo novo e ficamos admirados, os nossos bailarinos trouxeram muita bagagem”, cita.

“Os bailarinos precisam de mais oportunidades para formação, curso e workshops. Acho que a formação para os nossos bailarinos é muito importante, porque abre novos horizontes e ficarão preparados para irem onde quiserem”, avança a professora de ballet clássico.

Jeff Hessney, produtor do Raiz di Polon, na mesma linha, disse que a nível da união da classe, as coisas actualmente estão melhor do que há alguns anos. “Antes, trazia-se bailarinos internacionais para Cabo Verde e tinha-se dificuldade em mobilizar pessoas de outros grupos de dança para participar em nos eventos”.

Já para Djamilson Barreto, bailarino do Raiz di Polon, Cabo Verde mostrou o desejo de ter um festival de dança contemporânea.

“Um festival que motiva os bailarinos a ensaiar para participar nesse evento. Penso que se tivéssemos um festival de dança contemporânea em Cabo Verde motivaria os bailarinos, porque a dança contemporânea está num bom nível graças ao Raiz di Polon”.

Para termos uma evolução em relação à dança, Djamilson Barreto acredita que primeiro temos que diferenciar a dança do bailarino, porque disse que são duas coisas diferentes.

“Cabo Verde tem todo o potencial para fazer a dança, na cidade da Praia, por exemplo há palco ideal para receber qualquer festival de dança contemporânea, temos é que fazer um plano mais organizado”, assegura.

Por outro lado, Nicole Azevedo reconhece que Raiz di Polon tem dado grande contributo à dança em Cabo Verde. “Hoje temos vários bailarinos com muito talento mais não há ninguém que olhe para eles. Acho que é necessário visitar os vários grupos e escolas de dança que temos no país para conhecer a realidade por que passa cada um”.


Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 875 de 5 de Setembro de 2018.

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Autoria:Dulcina Mendes,10 set 2018 8:04

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  11 set 2018 8:11

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