Recomendação para ouvir: Os discos nacionais que mais rodaram durante 2018

PorPaulo Lobo Linhares,7 jan 2019 8:12

​É já habitual percorrer o ano que finda tentando atribuir a nossa “classificação” para os melhores do ano.

É sempre um processo altamente subjectivo, apesar de ter a sua fatia de factual. É muita coisa envolvida: os compositores e escritores que oferecem a sua poesia e letras para que estas sejam musicadas; os músicos que com as directivas do director artístico fazem com que toda a sonoridade traduza o suporte musical onde as tais letras e poemas se aconchegarão.

Cada instrumento tem o seu papel e cada nota a sua função, para que tudo resulte num todo: o trabalho do artista, formato físico ou digital, que depois se traduzirá em espectáculos e mais tarde em festivais.

Pois, são assim, muitos os álbuns que se vão ouvindo.

Nesta coluna que sairá já no ano de 2019, abstraí-me um pouco das datas e propus-me a falar dos discos nacionais que mais ouvi este ano. Confesso que alguns foram feitos em 2018 mas outros de anos lá perto. Contudo foram os mais “rodados” (ou “clicados”).

Começo pelo meu álbum de eleição produzido em 2018: “Cordão Umbilical”, de Lucibela.

Repertórios de excelentes compositores, letras lindíssimas, e uma voz que, muito provavelmente, será uma das marcas de Cabo Verde nos próximos anos. Ela esteve quase todo o ano em palcos internacionais, mas contamos vê-la por cá mais vezes. Os Cabo-verdianos querem, e é agora a nossa vez de nos deliciarmos com: “Sodadi Casa”de Mário Lúcio, “ Laco Umbilical”, de Betu , “Violeiro”, de Jorge Tavares Silva, entre muitos mais temas.

Não deste ano, mas por ter dado o salto para uma enorme label discográfica mundial – a Sony Music – o precioso “Funanight”, de Mário Lúcio Sousa, também não parou de tocar. Neste caso, para além das letras e músicas, a preciosidade cirúrgica com que cada nota é escolhida para caber num todo musical, que quase roça a perfeição, quando pensamos em discos que traduzem um conceito. O (novo) Funaná, que agora corre palcos internacionais, foi neste disco contado, cantado e encantado. Vai continuar com outras surpresas em 2019.

Chegando de mansinho a Cabo Verde, foi aos poucos apresentando a sua música. Trouxe-nos “Kanta pa Skeci”, um disco muito interessante, ( anterior a 2018), de um jovem que saiu de Cabo Verde aos 7 anos, para França, onde trabalhou e estudou música. O crioulo profundo de Carlos junta-se às sonoridades jazzísticas e a estórias tão interessantes e imaginativas como a contada no tema “Bengue” – um planeta onde há homens de orelhas azuis e onde se fala um dialecto que Carlos criou e escolheu para cantar no tema. Prepara-se para novo álbum, ainda este ano.

Do “exterior”, sempre presente: Lula e os Cachupa Psicadélica e Bilan.

O uso do papel na indústria discográfica dos singles, que quando é bem feito, torna-se uma arma de vendas. Falo do magnífico single de Dieg, com um instrumental que traz muita coisa fresca à nossa música. Se o álbum der sequência ao single, temos obra na nossa música.

Ainda, Hélio Batalha que escolhe a temática do “Rabidanti” e planeou tudo com o lançamento de 3 singles. Dois já fazem sucesso das rádios e a terceira parte, que será um EP, chegará com o novo ano.

Referência total ao Cine-concerto que abriu o Festival Plateau, provavelmente inédito no país, numa produção da inSulada e Parallaxx e a criatividade dos músicos Dieg, Jorge Almeida, Sori Araújo e a voz de Samira Vera-Cruz. A música ilustra imagens do Cabo Verde dos anos 30/40.

Há muitos mais discos nacionais que fizeram este 2018, mas como disse, foram os que mais tocaram pelas minhas bandas….E como o que é importante é ouvir…façamo-lo em força!

2019 com muita música!...Ouçam-na sem receios nem preconceitos …apenas ouçam-na!

Texto originalmente publicado na edição impressa do expresso das ilhas nº 892 de 2 de Janeiro de 2019.

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Autoria:Paulo Lobo Linhares,7 jan 2019 8:12

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  7 jan 2019 11:22

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