Eurídice Monteiro apresenta na Praia livro de crónicas “O Elogio da Democracia”

PorExpresso das Ilhas,5 mai 2019 6:12

A colunista do Expresso das Ilhas e professora universitária Eurídice Monteiro apresenta esta quinta-feira, 2 de Maio, na Biblioteca Nacional, na Praia, o livro “O Elogio da Democracia”. Em conversa com o Expresso das Ilhas, a autora fala da génese do livro que reúne 40 crónicas publicadas neste semanário, o qual apoiou também a edição desta obra.

Podia falar da génese do seu livro “O Elogio da Democracia”?

Este é um livro que reúne as minhas crónicas publicadas no semanário Expresso das Ilhas, entre 2017 e 2018. São 40 crónicas, num livro de 176 páginas. É o segundo livro publicado pela Mudjer Edições, estando desta feita sob a coordenação editorial da académica polaca Dominika Swolkien, que reside há já alguns anos em Cabo Verde. O livro traz um comentário da deputada Filomena Martins, bem como um prefácio de Lígia Dias Fonseca, Primeira-Dama de Cabo Verde, e um posfácio do economista José Tomás Veiga. São contributos valiosos para este livro e ajudam a ampliar a análise sobre a liberdade de expressão, o exercício da cidadania e a importância de uma construção permanente de uma democracia pluralista assente nos valores da paz, dos direitos humanos, da justiça, da liberdade e da igualdade.

De onde surgiu a ideia para o título?

O filósofo francês Jacques Ranciere tem um livro com o título “La Haine de la Démocratie” (o ódio à democracia, tradução literal). Li o livro e foi de lá que surgiu a ideia deste título para o meu livro, até porque eu ainda acredito na democracia e nos valores que proclama. Não sou céptica. Muito pelo contrário. Sou bastante optimista. Obviamente que não me satisfaz a democracia que temos, principalmente em Cabo Verde. Há um défice de realização da democracia. Aliás, a democracia aqui é mais um procedimento formal para a escolha de representantes políticos do que uma prática coerente que garante o exercício livre da cidadania e o respeito pela diversidade de pensamento, posicionamento e formas de estar na vida.

Dá-lhe gozo escrever artigos de opinião?

É uma das coisas que mais me dá alegria fazer. Escrever. Escrever permanentemente, seja para publicar regularmente nos jornais, seja para grandes narrativas ou ensaios. Escrever para jornais é uma forma de exercer a minha cidadania. Escrever é algo que depende de mim. Eu quero, eu faço. Acontece que tenho a sorte de ter um jornal onde posso publicar. É como “juntar à fome a vontade de comer”. Portanto, escrevo porque gosto e tenho espaço para publicar. Mais do que isso, tenho também uma comunidade de colegas, amigos e leitores que permanentemente me dão feedback sobre os meus escritos. Isso é bom, porque me obriga permanentemente a aperfeiçoar, a ver de outra maneira e a continuar a fazer o que faço com rigor, disciplina e dedicação. Acho que isto faz parte de um processo. Cabo Verde precisa de mais pessoas a escrever nos jornais, a tomar posições sobre as iniciativas e decisões sobre assuntos sociais, políticos, culturais e económicos.

Qual a função social da articulista?

Que pergunta difícil… penso que a minha função de articulista é acima de tudo um acto de cidadania. Escrever é uma forma de exercer a minha cidadania, de manter-me ligada a assuntos que me dizem respeito enquanto cidadã e de treinamento cívico… É também um dever que assumo enquanto académica. É uma das formas de extensão universitária…

Em que moldes vai ser feito o lançamento e a distribuição da obra?

Vai ser um evento de entrada livre, aberto a todos. Será na Biblioteca Nacional, no dia 2 de Maio (quinta-feira), às 18h. A apresentação estará a cargo da jornalista cabo-verdiana Carla Lima e do professor de ciências políticas e relações internacionais Vicente Brandão. Este livro é especialmente dedicado aos estudantes, pelo que também estarão presentes na sessão de lançamento e participarão na organização e dinamização do evento. O livro conta com o apoio do semanário Expresso das Ilhas e dos seus parceiros, pelo que estará à venda a custo acessível, com um desconto especial aos estudantes mais jovens (idade inferior a 35 anos). Depois do lançamento, estará à venda nas livrarias do país.

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Sobre a autora

Eurídice Furtado Monteiro é colunista do Expresso das Ilhas, desde Janeiro de 2017. Socio-Politóloga, é Doutorada pela Universidade de Coimbra. É Presidente Eleita da Associação Internacional de Ciências Sociais e Humanas em Língua Portuguesa (AILPcsh).

Para além de artigos científicos em revistas especializadas e em coletâneas, é autora dos livros Mulheres, Democracia e Desafios Pós-coloniais: Uma Análise da Participação Política das Mulheres em Cabo Verde (2009), Entre os Senhores das Ilhas e as Descontentes: Identidade, Classe e Género na Estruturação do Campo Político em Cabo Verde (2014 e 2015) e A Ponte de Kayetona (2016, romance).

Texto originalmente publicado na edição impressa do expresso das ilhas nº 909 de 01 de Maio de 2019.

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Autoria:Expresso das Ilhas,5 mai 2019 6:12

Editado porSara Almeida  em  10 dez 2019 23:21

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