No 5.º Aniversário da Morte do Poeta Corsino Fortes

PorOswaldo Osório,25 jul 2020 6:51

Corsino Fortes
Corsino Fortes

​Corsino Fortes gostava não tanto de falar de si mas das coisas que lhe foram acontecendo na vida como que para deles se tirar ensinamentos que pudessem deliciar ou servir aos que o escutavam maravilhados com as suas narrativas.

Essas histórias pessoais, de que tive oportunidade de ouvir, algumas contadas pelo próprio, vinham da adolescência no Mindelo, das brincadeiras na rua do Morguine e do Ouro, da Praia de Bote, da Salina, no campo, com incidência no Monte Verde, da sua vida profissional, desde o primeiro emprego no escritório da Fábrica de Tabacos do Mindelo, com derivações as mais inesperadas e que conduziam ao riso. Eram tantas as situações que não poderei nomeá-las todas porque este breve espaço de saudosa memória o não permite.

Limitar-me-ei, pois, a contar uma pequena história que seria o início da sua bênção como poeta.

Segundo Jaime de Figueiredo, Baltasar Lopes da Silva tinha imenso respeito pelas opiniões críticas do Poeta José Lopes, seu parente, pelo que quando se tratava de aferir a qualidade de um poeta ele não hesitava em consultar o velho e consagrado Mestre. Desse modo, para avaliar a qualidade poética dos poemas do jovem Corsino, Baltasar levou-o à casa do Mestre, com quem evidentemente tinha já marcado a visita. Corsino, com um largo sorriso nos lábios, contou-me que o Mestre o recebeu dirigindo-se-lhe da seguinte maneira:

“É você que escreve paraversos?” Para o festejado autor de Jardim das Hespérides, a poesia só podia ser pensada, sentida e escrita de acordo com as regras da versificação clássicas que o modernismo viera desafiar e destronar com a sua poética de versos soltos ou brancos.

Cúmplices, como o Corsino costumava dizer, deste tempo presente, conheci-o numa reunião na rua da Esperança no Lombo em que esteve presente o João Vário, se não me falha a memória, para a organização do primeiro baile, do grupo Vindouros, e a nossa amizade veio a consolidar-se, na Praia, nos anos 70.

Poeta e paladino das ilhas, Corsino Fortes foi professor de Latim no Liceu da Praia, vindo posteriormente a formar-se em Direito, e exerceu, depois da Independência de Cabo Verde, altos cargos, quer como embaixador quer como governante, tendo-se também revelado um espírito empreendedor ao fundar a primeira Seguradora privada Cabo-verdiana, a ÍMPAR.

Foi ainda fundador da Academia Cabo-verdiana de Letras (ACL). Faleceu em Mindelo no dia 27 de Julho de 2015, rodeado de familiares, de suas sobrinhas e de um friso de escritoras que muito o admiravam. 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 973 de 22 de Julho de 2020. 

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Autoria:Oswaldo Osório,25 jul 2020 6:51

Editado porFretson Rocha  em  7 ago 2020 23:20

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