De pequenos objectos de decoração a peças de vestuários

PorDulcina Mendes,9 out 2021 7:32

Desde há muito que as mulheres cabo-verdianas fazem rendas para embelezar as suas casas, criando objectos para serem colocados nas mesas de jantar, mesa de televisão e sofás. Com o passar do tempo esta arte tornou-se num negócio, quando outras pessoas começaram a se interessar por esses trabalhos e dispararam as encomendas.

Nos dias que correm, além das senhoras com mais idade que continuam a se dedicar a esta velha arte, encontramos jovens que com muita criatividade passaram a fazer diversas peças como biquínis, blusas, sapatos para crianças e bolsas para senhoras para serem vendidas.

O Expresso das Ilhas esteve em conversa com algumas aficionadas dessa arte. Marlene Furtado, de Calheta de São Miguel, interior de Santiago, disse-nos que sempre gostou de fazer rendas em casa e que depois de uma formação nessa área decidiu investir mais e fazer desta arte sua profissão.

“Depois que terminei a minha formação em croché, em 2014, passei a fazer mais objectos para vender e tenho tido algumas encomendas neste sentido, e com isso passei a me dedicar mais a esta área”, começa por dizer.

Marlene Furtado conta-nos que faz peças para mesinhas, mesas de jantar, mesas de televisão e sofás, de acordo com as encomendas. Nunca fez blusas e biquínis, confessa, mas isso não quer dizer que não sabe fazer, é porque ainda não teve encomenda neste sentido.

“Rendas Marlene”

As encomendas da Marlene Furtado por enquanto, conforme explicou, é só mesmo em São Miguel, não num volume maior como gostaria, mas aos poucos espera aumentar a sua venda, pois criou uma página no Facebook, Rendas Marlene, onde mostra os seus trabalhos.

Nas épocas festivas, como Natal, Marlene conta que as vendas aumentam, pois por essa ocasião muitas pessoas procuram rendas para oferecer aos familiares e amigos.

Em relação à matéria-prima, diz que às vezes compra na Cidade da Assomada ou mesmo na Cidade da Praia, conforme oferta do mercado. Por outro lado, afirma que com a pandemia as vendas diminuíram muito.

Já a jovem Neiva Brito, da Cidade da Assomada conta-nos que começou a fazer croché durante a quarentena, mas que já sabia os pontos básicos de como fazer esse tipo de trabalho, porque aprendeu com a sua mãe.

“Decidi fazer croché, porque é nessa arte que encontrei o meu anti-stress ou anti-tédio, e fazer croché tornou-se meu hobby preferido na quarentena, mas quando percebi que podia ganhar algo mais com esse trabalho decidi investir”, conta.

Neiva Brito fez licenciatura em Estudos Ingleses, mas ainda não conseguiu trabalho nessa área. Por isso, enquanto não surge trabalho na sua área de formação, a jovem vai continuar a fazer essa arte.

“Gosto de fazer biquínis e peças para bebés, cover up para biquínis, conjunto de saias e tops e croppeds. Os preços variam de acordo com o modelo, e as suas peças são mais procuradas por pessoas que vivem fora do país e na Cidade da Praia.

“Kroxe pa Kretxeu”

Foi em Novembro de ano passado que decidiu criar a página “Kroxe pa Kretxeu”, na rede social Instagram, porque os jovens estão mais no Instagram, mas antes tinha criado uma página no Facebook com o nome “Peças em Crochê”.

Em relação à aceitação, conta que tem sido excelente, “desde a primeira publicação até hoje, as pessoas dão gosto, comentam e dão sempre feedback positivo”.

O Expresso das Ilhas conversou com outro jovem que está a apostar na mesma arte, Timany Marley, da Cidade da Praia, que começou a fazer croché aos 12 anos de idade. “No meio bairro, Achadinha, muitas mulheres faziam rendas, como eu era uma criança muito curiosa queria perceber como é que uma linha se transformava numa toalha de mesa ou num vestuário”, pedi à minha mãe e à minha tia para me ensinarem e elas me ensinaram”.

Timany Marley revelou que no início não fazia biquínis, mas só peças para decoração. “Hoje já aperfeiçoei e faço biquínis, bolsas, tapetes, roupas para bebés e goro”.

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Diz que decidiu fazer croché não só por gosto, mas também para driblar a situação financeira. “Antes trabalhava num dos restaurantes da Praia, mas com a pandemia a minha situação financeira complicou”. Timany Marley decidiu investir nessa área há cinco meses, depois que perdeu o emprego. Hoje tem uma página nas redes sociais, Facebook e Instagram “Timany Marley”, onde mostra os seus produtos.

A jovem conta que os seus trabalhos têm sido procurados por pessoas daqui (Cidade da Praia), das ilhas do Sal e do Maio, Portugal e Estados Unidos da América. Em relação à aceitação dos seus trabalhos, a jovem praiense diz-se feliz e motivada para continuar a fazer esse trabalho “com mensagens positivas dos meus seguidores e amigos”. 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1036 de 6 de Outubro de 2021.

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Autoria:Dulcina Mendes,9 out 2021 7:32

Editado porFretson Rocha  em  27 out 2021 6:19

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