Tarrafal – onde a cultura é graciosa e nada à beira mar

PorPaulo Lobo Linhares,23 dez 2021 15:20

Tarrafal… (a minha) vila do Tarrafal como lhe chamo e costumo dizer que aprendi a andar na Praia e a nadar no Tarrafal.

Tarrafal, como muitos haverão de concordar, tem uma energia mágica, que passeia entre o calmo e a paz… é toda ela graciosa.

Ora, num lugar destes, se lhe juntarmos a cultura, acredito que aí sim, entraremos quase que num paraíso onde para muitos será ouro …ou melhor…prata por causa do reflexo da lua no mar…

O grupo da Câmara Municipal do Tarrafal tem a cultura como excelência, a cada semana um desafio, em cada mês eventos, e sempre a ebulição.

Dos festivais de Batuku, mornas e demais géneros musicais de que mais à frente falarei, dos concursos constantes para se descobrir novas vozes, de apresentações de livros, workshops de dança, tudo é constância. Se pensarmos que a mesma equipa também é encarregue do desporto e iniciativas que dai advém – tudo se mostra quase perfeito para a classe jovem e para uma localidade que poderá e deverá sustentar o seu turismo nestes dois parâmetros – a cultura e o desporto

Este fim-de-semana tive a honra de participar como júri que avaliava a parte da produção e artistas em palco na final do “Concurso de Hip-Hop - Rito”, que homenageava um dos principais impulsionadores deste género musical no Tarrafal e que precocemente partiu – MARITO.

É nobre elevarmos os nossos.

Para tal o pelouro da Cultura, onde as ideias constantes e vontade de acontecer do seu coordenador – Dany Fonseca e a eficácia da vereadora Teresa Ramos, com o suporte de uma equipa visivelmente estruturada – desenhou o referido concurso.

Passou por quatro eliminatórias – tamanha foi a aderência dos jovens. Das dezenas da primeira eliminatória chegaram-se aos 5 finalistas.

No fim o vencedor foi César Key – um rapper que impressionou pela sua criatividade e poder de atacar o palco e o público – fazendo de tudo um verdadeiro espetáculo, com o pouco que tinha.

Contudo, para o fim deste artigo, deixo talvez o mais relevante – a maneira como (enquanto produtor de eventos) fui vendo tudo a ser construído…e foram tantos os pormenores.

Começava pela vontade real da Câmara em mostrar os jovens e não o festival. Sim, o festival veio em consequência do enaltecimento dos potenciais artistas. Para tal foram buscar um júri e críticos com experiência e dividido em músicos e produtores – falo de nomes como Hélio Batalha, Trakinuz, Ga da Lomba, Pziko, e o produtor Lil Mário. Obviamente que a conversa e troca de experiências entre nós e os participantes ia fazendo com que portas se abrissem para que começa a indispensável partilha, de que tanto a música precisa.

Outro aspecto interessante foi levar a experiência a outros lugares do Tarrafal, descentralizando-o. Começou e acabou no Mercado Cultural do Tarrafal, mas passou por mais dois palcos exteriores à vila.

Ainda, presença do conceito e da homenagem a Marito – filho da terra que defendeu o Hip Hop Tarrafalense e partiu deixando as sementes que agora florescem. Acredito que a CMT percebeu isso e não vai deixar parar, assim como perpetuou ou a imagem de Marito numa pintura numa das paredes do Mercado.

A aposta na formação dos jovens também foi reflectida nos prémios que incluíam cartas de condução, a gravação de um vídeo que empurra o início da carreira …entre outros.

Haveria muito mais por dizer do que foi vivido nestas quatro semanas, mas o espaço desta coluna é limitado, ao contrário dos horizontes da cultura Tarrafalense que pedimos a todos (em conversa que íamos tendo entre o júri) que não pare esta dinâmica que trás com ela.

Tarrafal pode sim ter um desenvolvimento sustentado pela cultura e pelo desporto, marcando assim o que se procura lá fora – muita natureza e alma e pouco betão.

Bem-haja, meu Tarrafal.

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Autoria:Paulo Lobo Linhares,23 dez 2021 15:20

Editado porAndre Amaral  em  24 dez 2021 20:00

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