Actriz cabo-verdiana é uma das protagonistas da websérie “Tray São”

PorAntónio Monteiro,3 jul 2022 12:34

A cabo-verdiana Maísa Ribeiro (São) é um dos rostos principais da websérie “Tray São» cujos primeiros três episódios já estão disponíveis no canal do YouTube da Santano Productions. Em conversa com o Expresso das Ilhas a actriz cabo-verdiana, o produtor angolano Henrique Sungo e o diretor são-tomense Filipe Anjos falam deste e de outros projectos em carteira.

A websérie além da cabo-verdiana Maísa Ribeiro no papel de São tem como protagonista Ibraim Sano (Tray). Como se pode facilmente enxergar, o título tem duplo significado: os nomes Tray e São soam “traição”, em português, ou seja, trata-se de um relacionamento triangular entre o marido, a esposa e a amante.

Sem avançar muitos detalhes, pois a série vai ainda a meio, o director são-tomense Filipe Anjos disse ao Expresso das Ilhas, em entrevista via telefone, que a série reflecte muito aquilo que é realidade da comunidade PALOP radicada em Londres, onde residem todos os artistas envolvidos neste projecto. “É algo que toca muito naquilo que é a realidade social da nossa comunidade, entre casais, entre familiares, amigos e muito mais. Um dos objectivos que nós tínhamos aqui era mostrar certos aspectos, por exemplo como é que um casal, como é que a mulher e o homem lidam um com o outro”.

“São é uma personagem forte”

Maísa Ribeiro também se escusou a entrar em pormenores relativamente à série, “há que aguardar ainda os outros três episódios que faltam”, ressaltando apenas que São é uma personagem forte e que se identificou com ela. “Acho que representa a maior parte de nós mulheres: guerreiras, trabalhadoras, focadas..”

Maísa Ribeiro, que reside em Londres há um ano, onde, aliás, conheceu o produtor Henrique Sungo e o director Filipe Anjos que a convidaram para entrar no projecto da minissérie, contou ao Expresso das Ilhas que o feedback em Cabo Verde como actriz tem sido muito positivo. “Muitas pessoas não estavam à espera que eu pudesse explorar essa área da arte, o cinema, pois muita gente sempre me conheceu relacionada com a música, devido ao meio em que cresci, através do meu pai que é baterista [é filha de Raúl Ribeiro, baterista da banda Arkorá]”.

“O Henrique e o Filipe ajudaram-me a despertar outros talentos

A jovem artista cabo-verdiana (30 anos) disse que trabalhar com a dupla Filipe Anjos (29 anos) e Henrique Sungo (42 anos) tem sido uma experiência bastante inovadora, não só como pessoa. “Ajudou-me também a desenvolver a minha parte criativa e alguns outros talentos que eu não sabia que tinha. Tanto o Filipe como o Henrique ajudaram-me a despertar esse talento em mim e a fazer parte também de um projecto da comunidade PALOP como cabo-verdiana e representar também a nossa comunidade”.

Uma dupla de sucesso

O produtor angolano Henrique Sungo e o director são-tomense Filipe Anjos têm sido nos últimos tempos uma dupla de sucesso. No mês de Abril foram convidados para participar na terceira edição da oficina de arte “Yaounde Film Lab,” nos Camarões e há dois anos foram vencedores do Prémio do Júri no London Art House Film Festival com o curto documentário “Vírus Inesperado” sobre a experiência do coronavírus dentro da comunidade PALOP no Reino Unido. Além do referido prémio, este documentário mereceu várias nomeações em diferentes festivais, nomeadamente em Portugal, República Democrática do Congo e “até na China por muito estranho que pareça”, comenta Filipe Anjos, acrescentando que assim que a minissérie “Tray São» estiver concluída pretendem submetê-la também a vários festivais internacionais “para dar maior visibilidade ao trabalho que estamos a fazer, dos actores e de toda a equipa”.

O próximo projecto da Santano Productions é “A Planta Milagrosa”, um filme ainda em fase de desenvolvimento que vai beber na tradição medicinal de São Tomé e Príncipe e faz uma mistura de vários géneros como aventura e acção.

Entretanto, o produtor e o director avançaram ao Expresso das Ilhas que antes deste filme sair daqui a dois anos a Santano Productions tem em carteira vários projectos entre curtas-metragens e documentários.

Investir no cinema africano

Apesar de não viverem exclusivamente do audiovisual estes dois jovens talentos acreditam que vale a pena investir no cinema africano. “Nos últimos anos temos estado a ver o cinema africano a dar passos gigantescos e a tecnologia vem aqui nos ajudar. Não estamos lá em cima, mas estamos a dar bons passos. Precisamos de mais incentivos, moral, financeiro, etc. Eu pessoalmente vejo o futuro do cinema africano com bons olhos e num outro patamar”, avalia Henrique Sungo.

O produtor acrescenta que esse investimento deve focar sobretudo na área da produção africana. “Porquê? Porque isso vai permitir que para além de termos a possibilidade de começar a contar as nossas próprias histórias e perspectivas, vamos deter os direitos sobre essas nossas próprias histórias e perspectivas desses produtos que estarão espalhados pelo mundo. Isso é muito importante”, concluiu.   

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1074 de 29 de Junho de 2022.

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Autoria:António Monteiro,3 jul 2022 12:34

Editado porJorge Montezinho  em  3 jul 2022 17:55

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